Palestrante: Solange Ribeiro de Oliveira (Poslit/UFMG)
Mediação: Márcia Arbex (UFMG)
Speaker: Solange Ribeiro de Oliveira (Poslit/UFMG)
Moderator: Márcia Arbex (UFMG)
Resumo: Considero primeiramente a evolução histórica do conceito de paisagem, do século XIV até períodos recentes, quando emergem diferentes definições, incluindo as propostas por Otto Schlüter, Michel Collot, Mateusz Salwa ou pela Unesco. Distinguem-se diferentes tipos de paisagem, como a natural e a cultural, dependendo da ausência ou presença da intervenção humana. Entretanto, o conceito expandiu-se para além do visual, de forma a incorporar a paisagem sonora e até elementos olfativos. De qualquer forma, a paisagem revela-se uma entidade sui-generis: é obra mental, construção de nossa percepção e imaginação. A palestra apoia-se em projeções de imagens de paisagens brasileiras, algumas selecionadas como representações da identidade nacional, como a tela do setecentista Frans Post, primeiro artista europeu a representar terras sul-americanas. No século XIX, destaca-se a obra do artista francês Jean Baptiste Debret, com sua inegável contribuição para a documentação etnográfica da sociedade brasileira. Em nossos dias, analiso uma surpreendente paisagem de Adriana Varejão: apresenta uma floresta tropical, que circunda um recorte oval, sugerindo a genitália feminina, símbolo do estupro metafórico infligido aos povos colonizados. Outras imagens exibidas nos slides visam ilustrar a função de descrições de paisagens em textos literários. Em Iracema, de José de Alencar, a evocação de um mar revolto propicia a introdução da narrativa e a apresentação das personagens. Em Baú de Ossos, de Pedro Nava, a descrição de aspectos de sua cidade natal serve à recuperação de velhas memórias, lembranças de divergências ideológicas indicadas pelo direcionamento das ruas. No romance Um defeito de cor, da Ana Maria Gonçalves, paisagens marinhas da Ilha dos Frades e da vila de Cairu, na Bahia, atuam como prelúdio dramático de sofrimentos iminentes ou, com maior frequência, associam-se às emoções da protagonista. Exercem funções semelhantes paisagens descritas por Clarice Lispector em Uma maça no escuro e Perto do coração selvagem. No romance Quarup de Antonio Callado, a função de uma paisagem florida é situar as personagens num cenário idílico, prelúdio de seu amor. A paisagem é um recorte do espaço, que também exige uma definição. Discutida desde a antiguidade, a noção moderna de espaço deriva basicamente das teses de René Descartes, Isaac Newton e Immanuel Kant, para os quais o espaço é algo pré-existente, infinito, apriorístico. “Não é possível vê-lo, mas apenas objetos ou corpos no espaço", afirma Kant. Esses objetos recortam no espaço diferentes traçados dotados de sentidos específicos. Insere-se entre eles o contraste entre o vertical e o horizontal. Destacam-se ambos por sua ambiguidade. O vertical pode ser associado tanto a questões de poder quanto de religiosidade. Dependendo do contexto, simboliza a “arrogância”, a “vontade de poder” das classes opressoras, ou, por outro lado, a religiosidade, como as catedrais góticas e os pagodes chineses, voltados para a iluminação espiritual. Curiosamente, a horizontalidade participa da mesma ambiguidade. Pode sugerir pobreza, e submissão, mas também a condenação dos pecadores ao inferno. Essas questões, associadas aos fenômenos tornados visíveis por sua posição no espaço, serão ilustradas por citações do romance A paixão segundo G.H., de Clarice Lispector.
Abstract: Considero primeiramente a evolução histórica do conceito de paisagem, do século XIV até períodos recentes, quando emergem diferentes definições, incluindo as propostas por Otto Schlüter, Michel Collot, Mateusz Salwa ou pela Unesco. Distinguem-se diferentes tipos de paisagem, como a natural e a cultural, dependendo da ausência ou presença da intervenção humana. Entretanto, o conceito expandiu-se para além do visual, de forma a incorporar a paisagem sonora e até elementos olfativos. De qualquer forma, a paisagem revela-se uma entidade sui-generis: é obra mental, construção de nossa percepção e imaginação. A palestra apoia-se em projeções de imagens de paisagens brasileiras, algumas selecionadas como representações da identidade nacional, como a tela do setecentista Frans Post, primeiro artista europeu a representar terras sul-americanas. No século XIX, destaca-se a obra do artista francês Jean Baptiste Debret, com sua inegável contribuição para a documentação etnográfica da sociedade brasileira. Em nossos dias, analiso uma surpreendente paisagem de Adriana Varejão: apresenta uma floresta tropical, que circunda um recorte oval, sugerindo a genitália feminina, símbolo do estupro metafórico infligido aos povos colonizados. Outras imagens exibidas nos slides visam ilustrar a função de descrições de paisagens em textos literários. Em Iracema, de José de Alencar, a evocação de um mar revolto propicia a introdução da narrativa e a apresentação das personagens. Em Baú de Ossos, de Pedro Nava, a descrição de aspectos de sua cidade natal serve à recuperação de velhas memórias, lembranças de divergências ideológicas indicadas pelo direcionamento das ruas. No romance Um defeito de cor, da Ana Maria Gonçalves, paisagens marinhas da Ilha dos Frades e da vila de Cairu, na Bahia, atuam como prelúdio dramático de sofrimentos iminentes ou, com maior frequência, associam-se às emoções da protagonista. Exercem funções semelhantes paisagens descritas por Clarice Lispector em Uma maça no escuro e Perto do coração selvagem. No romance Quarup de Antonio Callado, a função de uma paisagem florida é situar as personagens num cenário idílico, prelúdio de seu amor. A paisagem é um recorte do espaço, que também exige uma definição. Discutida desde a antiguidade, a noção moderna de espaço deriva basicamente das teses de René Descartes, Isaac Newton e Immanuel Kant, para os quais o espaço é algo pré-existente, infinito, apriorístico. “Não é possível vê-lo, mas apenas objetos ou corpos no espaço", afirma Kant. Esses objetos recortam no espaço diferentes traçados dotados de sentidos específicos. Insere-se entre eles o contraste entre o vertical e o horizontal. Destacam-se ambos por sua ambiguidade. O vertical pode ser associado tanto a questões de poder quanto de religiosidade. Dependendo do contexto, simboliza a “arrogância”, a “vontade de poder” das classes opressoras, ou, por outro lado, a religiosidade, como as catedrais góticas e os pagodes chineses, voltados para a iluminação espiritual. Curiosamente, a horizontalidade participa da mesma ambiguidade. Pode sugerir pobreza, e submissão, mas também a condenação dos pecadores ao inferno. Essas questões, associadas aos fenômenos tornados visíveis por sua posição no espaço, serão ilustradas por citações do romance A paixão segundo G.H., de Clarice Lispector.
Com homenagem ao cofundador do Grupo Intermídia, o Professor Emérito Claus Clüver (Indiana University / EUA)
Mediação: Thaïs Flores Nogueira Diniz (UFMG)
With a tribute to the Intermídia Group co-founder, Professor Emeritus Claus Clüver (Indiana University / USA)
Moderator: Thaïs Flores Nogueira Diniz (UFMG)
Mesa 1 [Paisagem Sonora]: Alex Martoni (PUCMinas) e Edilson Rocha (UFSJ) | Mediação: Cecília Nazaré de Lima (UFMG) — Teatro CSA
Table 1 [Soundscape]: Alex Martoni (PUCMinas) and Edilson Rocha (UFSJ) | Moderator: Cecília Nazaré de Lima (UFMG) — Teatro CSA
Alex Martoni: A recepção de Ainda estou aqui (2024), de Walter Salles, e O agente secreto (2025), de Kleber Mendonça Filho, vem destacando tanto a acuidade desses filmes na reconstrução de um certo clima, de uma atmosfera peculiar ao Rio de Janeiro e ao Recife da década de 1970 quanto a singularidade na produção de trilhas sonoras a partir da mobilização de repertórios esquecidos do cancioneiro popular brasileiro. Dentro dessa perspectiva, essa comunicação, dividida em três momentos, tem por objetivo refletir sobre o papel desempenhado pelas canções e pelas mídias que as veiculam na construção das paisagens sonoras de ambos os filmes. Na primeira parte, de caráter eminentemente teórico, proporemos uma atualização da noção de paisagem sonora (R. Murray Schafer), radicando-a no interior dos debates contemporâneos sobre os processos de construção de ambiências, Stimmungen (Gernot Böhme, Tonino Griffero e Hans Ulrich Gumbrecht). Em um segundo momento, analítico, repertoriaremos os papeis cumpridos pelas canções na produção de ambiências, com especial atenção voltada à dimensão afetiva dos regimes de audiovisão (Michel Chion) e ao caráter nostálgico (James Cisneros) instaurado pelos traços do analógico (disco de vinil, fita cassete) remediados no digital. Por fim, sob o ponto de vista estético-político (Jacques Rancière), destacaremos como ambos os filmes, além de se constituírem em si mesmos como arquivos da ditadura militar (Eurídice Figueiredo, Mario Cámara), mobilizam, em seu interior, um repertório cancional que deixa entrever como as novas práticas arquivísticas contemporâneas, fomentadas pelas tecnologias digitais, revelam discursos, sonoridades e histórias menores da música popular brasileira.
Edilson Rocha: O conceito de paisagem sonora foi cunhado pelo compositor e ambientalista Murray Schafer, e desenvolvida em seu livro a Afinação do Mundo e em outras publicações, que propõe uma escuta atenta e crítica do mundo. Este conceito acabou muito difundido como uma ferramenta de musicalização no Brasil, e por meio dele muitos trabalhos interessantes vêm sendo difundidos. Por outro lado, a cultura cristã adotou ao longo dos séculos o uso dos sinos como uma ferramenta de comunicação, sendo assim, mais um elemento que ajuda a compor a paisagem sonora das cidades brasileiras. Notadamente, em São João del-Rei estruturou-se como uma linguagem bastante complexa, diversa e que ainda hoje comunica cerimônias, missas, falecimentos e uma miríade de eventos. Estando plenamente conectada com a paisagem sonora sanjoanense, neste encontro será possível conhecer essa linguagem, identificar sua importância cultural como um elemento presente e muito vivo da cultura musical sanjoanense, reforçando sua história e trazendo ainda hoje um construto de resistência social e cultural. Teremos ainda a oportunidade de conhecer algumas das estratégias para sua documentação em partitura, já que é basicamente uma comunicação musical. Registrada como Patrimônio Imaterial Brasileiro em 2009, a Linguagem dos Sinos de São João del-Rei se configura como elemento constituinte de uma paisagem que une memória, tradição, cultura e bem coletivo por meio dos sons.
Alex Martoni: A recepção de Ainda estou aqui (2024), de Walter Salles, e O agente secreto (2025), de Kleber Mendonça Filho, vem destacando tanto a acuidade desses filmes na reconstrução de um certo clima, de uma atmosfera peculiar ao Rio de Janeiro e ao Recife da década de 1970 quanto a singularidade na produção de trilhas sonoras a partir da mobilização de repertórios esquecidos do cancioneiro popular brasileiro. Dentro dessa perspectiva, essa comunicação, dividida em três momentos, tem por objetivo refletir sobre o papel desempenhado pelas canções e pelas mídias que as veiculam na construção das paisagens sonoras de ambos os filmes. Na primeira parte, de caráter eminentemente teórico, proporemos uma atualização da noção de paisagem sonora (R. Murray Schafer), radicando-a no interior dos debates contemporâneos sobre os processos de construção de ambiências, Stimmungen (Gernot Böhme, Tonino Griffero e Hans Ulrich Gumbrecht). Em um segundo momento, analítico, repertoriaremos os papeis cumpridos pelas canções na produção de ambiências, com especial atenção voltada à dimensão afetiva dos regimes de audiovisão (Michel Chion) e ao caráter nostálgico (James Cisneros) instaurado pelos traços do analógico (disco de vinil, fita cassete) remediados no digital. Por fim, sob o ponto de vista estético-político (Jacques Rancière), destacaremos como ambos os filmes, além de se constituírem em si mesmos como arquivos da ditadura militar (Eurídice Figueiredo, Mario Cámara), mobilizam, em seu interior, um repertório cancional que deixa entrever como as novas práticas arquivísticas contemporâneas, fomentadas pelas tecnologias digitais, revelam discursos, sonoridades e histórias menores da música popular brasileira.
Edilson Rocha: O conceito de paisagem sonora foi cunhado pelo compositor e ambientalista Murray Schafer, e desenvolvida em seu livro a Afinação do Mundo e em outras publicações, que propõe uma escuta atenta e crítica do mundo. Este conceito acabou muito difundido como uma ferramenta de musicalização no Brasil, e por meio dele muitos trabalhos interessantes vêm sendo difundidos. Por outro lado, a cultura cristã adotou ao longo dos séculos o uso dos sinos como uma ferramenta de comunicação, sendo assim, mais um elemento que ajuda a compor a paisagem sonora das cidades brasileiras. Notadamente, em São João del-Rei estruturou-se como uma linguagem bastante complexa, diversa e que ainda hoje comunica cerimônias, missas, falecimentos e uma miríade de eventos. Estando plenamente conectada com a paisagem sonora sanjoanense, neste encontro será possível conhecer essa linguagem, identificar sua importância cultural como um elemento presente e muito vivo da cultura musical sanjoanense, reforçando sua história e trazendo ainda hoje um construto de resistência social e cultural. Teremos ainda a oportunidade de conhecer algumas das estratégias para sua documentação em partitura, já que é basicamente uma comunicação musical. Registrada como Patrimônio Imaterial Brasileiro em 2009, a Linguagem dos Sinos de São João del-Rei se configura como elemento constituinte de uma paisagem que une memória, tradição, cultura e bem coletivo por meio dos sons.
Mesa 2 [Paisagem, Arte, Cena]: Simone Cortezão (IFMG) e Maria Clara Ferrer (UFSJ) | Mediação: Deborah Castro (UNIFAL) — Anfiteatro CSA
Table 2 [Landscape, Art, Scene]: Simone Cortezão (IFMG) and Maria Clara Ferrer (UFSJ) | Moderator: Deborah Castro (UNIFAL) — Anfiteatro CSA
Simone Cortezão: Relato de uma pesquisa desenvolvida ao longo de 22 anos, com a leitura de um percurso que atravessa territórios marcados pela mineração, onde se conformam e se deformam paisagens alteradas pelos processos econômicos industriais — do Brasil ao deserto do Atacama, da China Continental às fronteiras do Brasil com o Paraguai. Lugares onde a extração do ferro, do salitre e do cobre deixou marcas profundas: cidades abandonadas, lixos tóxicos, zonas limítrofes e inóspitas. Paisagens alteradas, a decomposição de territórios “minados”, de onde surgem os refluxos de toda a materialidade que forma a economia — que defino como zonas de ressaca. A investigação se desenvolve a partir de experiências que transitam do pessoal ao intensamente público e político, revelando os processos entrópicos e os efeitos climáticos de uma economia baseada na exaustão — a partir de imagens, indícios, passagens e conteúdos que tocam as urgências do nosso tempo. Uma reflexão sobre o território e as paisagens alteradas, a história mineral por meio de imagens de arquivos diversos, em múltiplas imagens, sons e acontecimentos que ocorrem no extracampo da imagem e no tempo da imagem que não se vê. Uma deriva por outras linhas de compreensão da história mineral, da complexidade resultante dos modos de vida e dos processos urbano-industriais da extração de minérios e do deslocamento de paisagens.
Maria Clara Ferrer: Em uma conferência proferida em 1934, no âmbito de um ciclo de eventos em universidades americanas, Gertrude Stein, ao refletir sobre sua relação com a arte teatral como escritora e espectadora, sugere que uma peça de teatro possa ser concebida como uma paisagem. Desprendida da necessidade de contar uma história, a landscape play, vislumbrada pela autora, apresenta-se como uma composição cuja ação emerge da relação não hierárquica entre elementos que coexistem e constituem um todo. Em vista de suas reverberações nos discursos e nas práticas cênicas contemporâneas, a reflexão de Stein merece ser desdobrada e aprofundada para além de uma leitura meramente metafórica. De modo mais concreto e preciso, como o conceito de paisagem — mobilizado por diversos campos de saber, como as artes visuais, a geografia, a filosofia e a literatura — se traduz na linguagem cênica? Por meio de quais princípios seu caráter relacional opera na configuração da cena? Buscando compreender a paisagem como um modo de composição e de percepção da cena, delineamos o conceito de cena-paisagem a partir de três critérios que caracterizam sua concepção: o efeito de horizonte; o não antropocentrismo; e o caminhar do olhar. A partir da análise de registros de espetáculos de Bob Wilson, Maguy Marin, Claude Régy, Lia Rodrigues e do Teatro da Vertigem, investigaremos como esses três aspectos são trabalhados cenicamente.
Simone Cortezão: Relato de uma pesquisa desenvolvida ao longo de 22 anos, com a leitura de um percurso que atravessa territórios marcados pela mineração, onde se conformam e se deformam paisagens alteradas pelos processos econômicos industriais — do Brasil ao deserto do Atacama, da China Continental às fronteiras do Brasil com o Paraguai. Lugares onde a extração do ferro, do salitre e do cobre deixou marcas profundas: cidades abandonadas, lixos tóxicos, zonas limítrofes e inóspitas. Paisagens alteradas, a decomposição de territórios “minados”, de onde surgem os refluxos de toda a materialidade que forma a economia — que defino como zonas de ressaca. A investigação se desenvolve a partir de experiências que transitam do pessoal ao intensamente público e político, revelando os processos entrópicos e os efeitos climáticos de uma economia baseada na exaustão — a partir de imagens, indícios, passagens e conteúdos que tocam as urgências do nosso tempo. Uma reflexão sobre o território e as paisagens alteradas, a história mineral por meio de imagens de arquivos diversos, em múltiplas imagens, sons e acontecimentos que ocorrem no extracampo da imagem e no tempo da imagem que não se vê. Uma deriva por outras linhas de compreensão da história mineral, da complexidade resultante dos modos de vida e dos processos urbano-industriais da extração de minérios e do deslocamento de paisagens.
Maria Clara Ferrer: Em uma conferência proferida em 1934, no âmbito de um ciclo de eventos em universidades americanas, Gertrude Stein, ao refletir sobre sua relação com a arte teatral como escritora e espectadora, sugere que uma peça de teatro possa ser concebida como uma paisagem. Desprendida da necessidade de contar uma história, a landscape play, vislumbrada pela autora, apresenta-se como uma composição cuja ação emerge da relação não hierárquica entre elementos que coexistem e constituem um todo. Em vista de suas reverberações nos discursos e nas práticas cênicas contemporâneas, a reflexão de Stein merece ser desdobrada e aprofundada para além de uma leitura meramente metafórica. De modo mais concreto e preciso, como o conceito de paisagem — mobilizado por diversos campos de saber, como as artes visuais, a geografia, a filosofia e a literatura — se traduz na linguagem cênica? Por meio de quais princípios seu caráter relacional opera na configuração da cena? Buscando compreender a paisagem como um modo de composição e de percepção da cena, delineamos o conceito de cena-paisagem a partir de três critérios que caracterizam sua concepção: o efeito de horizonte; o não antropocentrismo; e o caminhar do olhar. A partir da análise de registros de espetáculos de Bob Wilson, Maguy Marin, Claude Régy, Lia Rodrigues e do Teatro da Vertigem, investigaremos como esses três aspectos são trabalhados cenicamente.
Palestrante: Chiel Kattenbelt (Utrecht University/Holanda) *haverá tradução simultânea
Mediação: Thaïs Flores Nogueira Diniz (UFMG)
Speaker: Chiel Kattenbelt (Utrecht University/Netherlands) *simultaneous translation available
Moderator: Thaïs Flores Nogueira Diniz (UFMG)
Abstract (Original): In my lecture, I will begin by briefly considering word, image, and sound as different forms of articulation, as systematically linked by philosophers such as Kant, Hegel, and Schopenhauer to the human capacity for perception, knowledge, and experience. Their classification of the arts is based on the tripartite division of word, image, and sound, arguing which form of art should be considered the highest form. The arguments they put forward not only reveal the specific function they ascribe to art, but also how word, image, and sound might fulfil this function and what we can deduct from this regarding how the three relate to each other or are able to take over each other's function. This could also be an issue of intermediality, wondering by comparison about the specificity of word, image and sound as these occur in sign systems, artistic practices and technologies of mediation, transmission and (re)presentation of information. In a next step, I will examine the notion of landscape in terms of place and space as a dynamic concept with multiple dimensions (physical, social, and mental), wondering in what terms we could speak of a “dramaturgy of landscape”. Next, I will focus my attention to theatre, which I use as an umbrella term for all live performing arts and understand as the art of the performer, as a live performance that unfolds in the space and time of the here and now. The theatre performances I have in mind are more about undergoing experiences that make a special demand on our senses and imagination than about becoming absorbed in a story with a beginning, middle, and end by identifying with characters who are the main vehicles of the action taking place. In these performances the material and sensorial aspects of the media in play, come to the forefront. We could speak here of an intensification of the real as we can also relate it to the panorama of "postdramatic theatre" (a term coined by Hans-Thies Lehmann) and to the notion of “experience theatre”. The special importance of the material and sensorial modalities of the media in play also aligns with my understanding of intermediality as a specific mode of performativity. The same goes for my artistic research with the Belgian company CREW, which explores technologies like virtual reality and motion capture for their potential to create new landscapes and experiences in live performance by playing with media to affect the senses of the spectator, who is first to be understood as an experiencer.
Resumo (Tradução): Em minha palestra, começarei tecendo considerações sobre como palavra, imagem e som são formas diferentes de articulação, associadas sistematicamente por filósofos como Kant, Hegel e Schopenhauer à capacidade humana de percepção, conhecimento e experiência. A classificação das artes feita por eles baseia-se na divisão tripartite de palavra, imagem e som, discutindo qual forma de arte deveria ser considerada superior. Os argumentos apresentados por eles não apenas revelam a função específica que atribuem à arte, mas também como palavra, imagem e som poderiam cumprir essa função e o que podemos deduzir disso, considerando a maneira como os três se relacionam entre si ou sua capacidade de assumir a função um do outro. Isso poderia ser também uma questão de intermidialidade, refletindo comparativamente sobre a especificidade da palavra, da imagem e do som quando ocorrem em sistemas de signos, práticas artísticas e tecnologias de mediação, transmissão e (re)apresentação da informação. Em um passo seguinte, examinarei a noção de paisagem em termos de lugar e espaço como um conceito dinâmico, com dimensões múltiplas (físicas, sociais e mentais), perguntando em que termos poderíamos falar de uma “dramaturgia da paisagem”. Em seguida, voltarei minha atenção ao teatro, que utilizo como um termo guarda-chuva para todas as artes cênicas ao vivo e entendo como a arte do performer, como uma performance ao vivo que se desenvolve no espaço e no tempo do aqui e agora. As performances teatrais que tenho em mente dizem mais respeito a vivenciar experiências que fazem exigências especiais aos nossos sentidos e à nossa imaginação do que a nos absorver em uma história com começo, meio e fim, identificando-nos com personagens que são os principais veículos da ação em curso. Nessas performances, os aspectos materiais e sensoriais das mídias em jogo vêm para o primeiro plano. Poderíamos falar aqui de uma intensificação do real que também podemos relacionar ao panorama do “teatro pós-dramático” (termo cunhado por Hans-Thies Lehmann) e à noção de “teatro da experiência”. A importância especial das modalidades materiais e sensoriais das mídias em jogo também se alinha com minha compreensão da intermedialidade como um modo específico de performatividade. O mesmo vale para minha pesquisa artística com a companhia belga CREW, que explora tecnologias como realidade virtual e captura de movimento por seu potencial de criar novas paisagens e experiências na performance ao vivo, explorando as mídias para afetar os sentidos do espectador, entendido antes de tudo como um experienciador.
Abstract: In my lecture, I will begin by briefly considering word, image, and sound as different forms of articulation, as systematically linked by philosophers such as Kant, Hegel, and Schopenhauer to the human capacity for perception, knowledge, and experience. Their classification of the arts is based on the tripartite division of word, image, and sound, arguing which form of art should be considered the highest form. The arguments they put forward not only reveal the specific function they ascribe to art, but also how word, image, and sound might fulfil this function and what we can deduct from this regarding how the three relate to each other or are able to take over each other's function. This could also be an issue of intermediality, wondering by comparison about the specificity of word, image and sound as these occur in sign systems, artistic practices and technologies of mediation, transmission and (re)presentation of information. In a next step, I will examine the notion of landscape in terms of place and space as a dynamic concept with multiple dimensions (physical, social, and mental), wondering in what terms we could speak of a “dramaturgy of landscape”. Next, I will focus my attention to theatre, which I use as an umbrella term for all live performing arts and understand as the art of the performer, as a live performance that unfolds in the space and time of the here and now. The theatre performances I have in mind are more about undergoing experiences that make a special demand on our senses and imagination than about becoming absorbed in a story with a beginning, middle, and end by identifying with characters who are the main vehicles of the action taking place. In these performances the material and sensorial aspects of the media in play, come to the forefront. We could speak here of an intensification of the real as we can also relate it to the panorama of "postdramatic theatre" (a term coined by Hans-Thies Lehmann) and to the notion of “experience theatre”. The special importance of the material and sensorial modalities of the media in play also aligns with my understanding of intermediality as a specific mode of performativity. The same goes for my artistic research with the Belgian company CREW, which explores technologies like virtual reality and motion capture for their potential to create new landscapes and experiences in live performance by playing with media to affect the senses of the spectator, who is first to be understood as an experiencer.
Paisagens Pós-coloniais | Mediação: Luiz Manoel da Silva Oliveira (UFSJ) | Anfiteatro
Post-colonial Landscapes | Moderator: Luiz Manoel da Silva Oliveira (UFSJ) | Amphitheater
• Paisagem literária e a ilha de Próspero – Thaïs Flores Nogueira Diniz (UFMG)
• Ecocrítica e pós-colonialismo para comparar duas adaptações em quadrinhos do romance indianista de José de Alencar – Cristine Fickelscherer de Mattos (UERJ/UPM)
• O entrelugar da estrada: paisagem, memória e imaginação no pós-colonial moçambicano – Cora Romanazzi Torres (UFSJ)
• Paisagens literárias em V. S. Naipaul: o campo inglês e as ruínas do Império – Eliana Lourenço de Lima Reis (UFMG)
• Paisagem literária e a ilha de Próspero – Thaïs Flores Nogueira Diniz (UFMG)
• Ecocrítica e pós-colonialismo para comparar duas adaptações em quadrinhos do romance indianista de José de Alencar – Cristine Fickelscherer de Mattos (UERJ/UPM)
• O entrelugar da estrada: paisagem, memória e imaginação no pós-colonial moçambicano – Cora Romanazzi Torres (UFSJ)
• Paisagens literárias em V. S. Naipaul: o campo inglês e as ruínas do Império – Eliana Lourenço de Lima Reis (UFMG)
Paisagem e Fotografia | Mediação: Kátia Hallak Lombardi (UFSJ) | Teatro
Landscape and Photography | Moderator: Kátia Hallak Lombardi (UFSJ) | Theater
• Sob a lente fotográfica: visões e enquadramentos da paisagem em Palomar, de Italo Calvino – Juliana Estanislau de Ataide Mantovani (UnB/IFB)
• Uma cidade à medida dos olhos de Eugénio de Andrade e Dario Gonçalves – Ingred Georgia de Souza Silva (UFMG)
• Inventário de paisagens: o narrador viajante e as imagens literárias d'Os Sertões – Ana Luiza Fernandes (PUC-Rio)
• Sob a lente fotográfica: visões e enquadramentos da paisagem em Palomar, de Italo Calvino – Juliana Estanislau de Ataide Mantovani (UnB/IFB)
• Uma cidade à medida dos olhos de Eugénio de Andrade e Dario Gonçalves – Ingred Georgia de Souza Silva (UFMG)
• Inventário de paisagens: o narrador viajante e as imagens literárias d'Os Sertões – Ana Luiza Fernandes (PUC-Rio)
Paisagens e cinema | Mediação: Elaine Bairros Indrusiak (UFRGS) | Sala 1.10/1.11
Landscapes and Cinema | Moderator: Elaine Bairros Indrusiak (UFRGS) | Room 1.10/1.11
• A construção da paisagem de Winterfell: de As Crônicas de Gelo e Fogo ao seriado Game of Thrones – Edson Ferreira Martins (UFOP)
• A casa que protege e oprime: espaciosidade e apinhamento em O céu que nos oprime e Jojo Rabbit – Ingrid Caroline Benatto (UFPR)
• Ver, sentir e refletir: a experiência da paisagem em Orgulho e Preconceito (1813) de Jane Austen e na adaptação fílmica de Joe Wright (2005) – Bianca Deon Rossato (IFRS)
• Entre o campo e a fábrica: paisagens literárias e espaço social em Norte e Sul, de Elizabeth Gaskell – Adriana dos Santos Sales (CEFET-MG)
• A construção da paisagem de Winterfell: de As Crônicas de Gelo e Fogo ao seriado Game of Thrones – Edson Ferreira Martins (UFOP)
• A casa que protege e oprime: espaciosidade e apinhamento em O céu que nos oprime e Jojo Rabbit – Ingrid Caroline Benatto (UFPR)
• Ver, sentir e refletir: a experiência da paisagem em Orgulho e Preconceito (1813) de Jane Austen e na adaptação fílmica de Joe Wright (2005) – Bianca Deon Rossato (IFRS)
• Entre o campo e a fábrica: paisagens literárias e espaço social em Norte e Sul, de Elizabeth Gaskell – Adriana dos Santos Sales (CEFET-MG)
Paisagem e autoria feminina I | Mediação: Juliana Di Fiori Pondian (UFF) | Sala 1.12/1.13
Landscape and Female Authorship I | Moderator: Juliana Di Fiori Pondian (UFF) | Room 1.12/1.13
• A paisagem doméstica de Ana Martins Marques e o pictural – Isabelle Ferreira Scalambrini Costa (UFMG)
• O memorial do outro: A dinâmica de sobrevivência pela escrita na obra Os anos, de Annie Ernaux – Maria Elisa Barbosa Siqueira (UFSJ)
• Paisagens imaginais, poemas memoriais: a geografia da casa na arte de Elizabeth Bishop – Guilherme Diniz Machado (UERJ)
• O corpo e a página na poesia espacialista de Ilse Garnier – Juliana Di Fiori Pondian (UFF)
• A paisagem doméstica de Ana Martins Marques e o pictural – Isabelle Ferreira Scalambrini Costa (UFMG)
• O memorial do outro: A dinâmica de sobrevivência pela escrita na obra Os anos, de Annie Ernaux – Maria Elisa Barbosa Siqueira (UFSJ)
• Paisagens imaginais, poemas memoriais: a geografia da casa na arte de Elizabeth Bishop – Guilherme Diniz Machado (UERJ)
• O corpo e a página na poesia espacialista de Ilse Garnier – Juliana Di Fiori Pondian (UFF)
Vozes, canções, identidades | Mediação: Leonardo Davino de Oliveira (UERJ) | Sala 1.14/1.15
Voices, Songs, Identities | Moderator: Leonardo Davino de Oliveira (UERJ) | Room 1.14/1.15
• Paisagem que canta: território argentino e gesto vocal na voz de Mercedes Sosa – Livia Itaborahy (UFMG/INET)
• Imobilidade, Paisagem Sonora e questionamento Ontológico na obra Los Recuerdos del Porvenir (1963) de Elena Garro – Maycon da Silva Tannis (PUC Rio)
• A constituição de paisagens sonoras por meio da colagem de elementos verbais e não verbais no funk brasileiro – Victória Elizabeth dos Santos (UNIFESP)
• Paisagem panamericana em canções dos anos 1970 – Leonardo Davino de Oliveira (UERJ)
• Paisagem que canta: território argentino e gesto vocal na voz de Mercedes Sosa – Livia Itaborahy (UFMG/INET)
• Imobilidade, Paisagem Sonora e questionamento Ontológico na obra Los Recuerdos del Porvenir (1963) de Elena Garro – Maycon da Silva Tannis (PUC Rio)
• A constituição de paisagens sonoras por meio da colagem de elementos verbais e não verbais no funk brasileiro – Victória Elizabeth dos Santos (UNIFESP)
• Paisagem panamericana em canções dos anos 1970 – Leonardo Davino de Oliveira (UERJ)
Paisagem e patrimônio I | Mediação: Liziane Peres Mangili (UFSJ) | Sala 4.05/4.06
Landscape and Heritage I | Moderator: Liziane Peres Mangili (UFSJ) | Room 4.05/4.06
• A paisagem histórica enquanto patrimônio cultural: Nicolas Taunay e a construção da identidade visual para o Brasil do século XIX – Priscila Célia Giacomassi (IFPR) e Ana Cecília Soja (IFF)
• Paisagem e site specific na obra do artista visual Bruno Faria – Bruno Faria (UEMG)
• A artealização de paisagens em Minas Gerais pelo movimento moderno brasileiro: viagens literárias, visuais e sonoras – Alba Nélida de Mendonça Bispo (PUC Minas) e Liziane Peres Mangili (UFSJ)
• A paisagem histórica enquanto patrimônio cultural: Nicolas Taunay e a construção da identidade visual para o Brasil do século XIX – Priscila Célia Giacomassi (IFPR) e Ana Cecília Soja (IFF)
• Paisagem e site specific na obra do artista visual Bruno Faria – Bruno Faria (UEMG)
• A artealização de paisagens em Minas Gerais pelo movimento moderno brasileiro: viagens literárias, visuais e sonoras – Alba Nélida de Mendonça Bispo (PUC Minas) e Liziane Peres Mangili (UFSJ)
Imersões sonoras, experimentais e corporais | Mediação: André Pinheiro (UFPI) | Sala 4.07
Sonic, Experimental and Corporeal Immersions | Moderator: André Pinheiro (UFPI) | Room 4.07
• Paisagens sonoras internas: técnicas respiratórias e a reorganização da percepção emocional do músico antes da performance – Rosana Alves Diniz (UFSJ)
• Um risco sonoro ressoa outras paisagens, outras escutas: pesquisa e criação a partir do acervo musical da Fundação de Educação Artística – Marcelo Chiaretti (FEA BH)
• A Máscara e a Paisagem: Hibridismo, Ecologia Sonora e Dialogismo na Performance da Sonata No. 1 de Jônatas Reis – André Luís Almeida de Castro (UFSJ)
• Corpos que soam: paisagens sonoras e criação coletiva em práticas percussivas – Juliana Milagres Tostes e Mônica de Ávila Todaro (UFSJ)
• Paisagens sonoras internas: técnicas respiratórias e a reorganização da percepção emocional do músico antes da performance – Rosana Alves Diniz (UFSJ)
• Um risco sonoro ressoa outras paisagens, outras escutas: pesquisa e criação a partir do acervo musical da Fundação de Educação Artística – Marcelo Chiaretti (FEA BH)
• A Máscara e a Paisagem: Hibridismo, Ecologia Sonora e Dialogismo na Performance da Sonata No. 1 de Jônatas Reis – André Luís Almeida de Castro (UFSJ)
• Corpos que soam: paisagens sonoras e criação coletiva em práticas percussivas – Juliana Milagres Tostes e Mônica de Ávila Todaro (UFSJ)
Paisagens no imaginário local, regional, nacional | Mediação: Mauro Gabriel Morais da Fonseca (UFJF) | Sala 4.14/4.15
Landscapes in the Local, Regional and National Imaginary | Moderator: Mauro Gabriel Morais da Fonseca (UFJF) | Room 4.14/4.15
• Canudos e a República: identidades do Brasil – Renato Sarieddine Araújo (PSILACS/UFMG - LAPCRIS/PUC-MG)
• Paisagens-Mundo Geopolíticos: Interseções entre ideologia, estética, geografia e poder – Adolfo Enrique Cifuentes (UFMG)
• Esquecer no texto: experimentos de criação literária a partir da perda/construção da memória (esquecimento) – Mauro Gabriel Morais da Fonseca (UFJF)
• Canudos e a República: identidades do Brasil – Renato Sarieddine Araújo (PSILACS/UFMG - LAPCRIS/PUC-MG)
• Paisagens-Mundo Geopolíticos: Interseções entre ideologia, estética, geografia e poder – Adolfo Enrique Cifuentes (UFMG)
• Esquecer no texto: experimentos de criação literária a partir da perda/construção da memória (esquecimento) – Mauro Gabriel Morais da Fonseca (UFJF)
Paisagem virtual I | Mediação: Clara Matheus Nogueira (UFCG) | Anfiteatro
Virtual Landscape I | Moderator: Clara Matheus Nogueira (UFCG) | Amphitheater
• Do hiperlink ao QR code: intertextualidade, multimidialidade, transmidialidade e o estatuto do texto – Verônica Daniel Kobs (UNIANDRADE)
• A paisagem virtual da/na crônica contemporânea brasileira – Luis Eduardo Veloso Garcia (E.E. Caetano de Campos)
• Discursos da Escrita Mercantilizada: Ideologias e Relações de Poder – Antenor Henrique da Silva Carvalho e Nádia Dolores Fernandes Biavati (UFSJ)
• Paisagem virtual e contemplação estética em Jogos digitais – Lucas Basso (UFMG)
• Do hiperlink ao QR code: intertextualidade, multimidialidade, transmidialidade e o estatuto do texto – Verônica Daniel Kobs (UNIANDRADE)
• A paisagem virtual da/na crônica contemporânea brasileira – Luis Eduardo Veloso Garcia (E.E. Caetano de Campos)
• Discursos da Escrita Mercantilizada: Ideologias e Relações de Poder – Antenor Henrique da Silva Carvalho e Nádia Dolores Fernandes Biavati (UFSJ)
• Paisagem virtual e contemplação estética em Jogos digitais – Lucas Basso (UFMG)
Paisagem e espaço | Mediação: Maria Cristina Cardoso Ribas (UERJ) | Teatro
Landscape and Space | Moderator: Maria Cristina Cardoso Ribas (UERJ) | Theater
• Espécies de espaços – Tida Carvalho (UNIMONTES)
• O tempo passa, o espaço fica: memória (d)e arquitetura em Ao Farol – Amanda Neves Campos (UFSJ)
• Paisagem e memória na poesia de Eugénio de Andrade (espaços de recordação) – Magno Francisco Sátiro Catão (UFMG)
• Animais na paisagem poética de Elizabeth Bishop – Sílvia Maria Guerra Anastácio (UFBA)
• Espécies de espaços – Tida Carvalho (UNIMONTES)
• O tempo passa, o espaço fica: memória (d)e arquitetura em Ao Farol – Amanda Neves Campos (UFSJ)
• Paisagem e memória na poesia de Eugénio de Andrade (espaços de recordação) – Magno Francisco Sátiro Catão (UFMG)
• Animais na paisagem poética de Elizabeth Bishop – Sílvia Maria Guerra Anastácio (UFBA)
Paisagens (n)o Horror | Mediação: Tassiana Calsavara Andrade (UFSJ) | Sala 1.10/1.11
Landscapes in Horror | Moderator: Tassiana Calsavara Andrade (UFSJ) | Room 1.10/1.11
• O real, o onírico e o alucinado: os espaços da diegese Lovecraftiana – Stefany Pereira Schumacher (UFSM)
• Paisagens aterrorizantes como vetores de horror: intermidialidade e o locus horribilis em Lovecraft – Ubirajara Lopes da Cunha Junior (UERJ)
• Relações hipertextuais entre o filme Orgulho e Preconceito e Zumbi e outras adaptações de Orgulho e Preconceito – Ligia Helena Souza (CEFET-MG)
• O real, o onírico e o alucinado: os espaços da diegese Lovecraftiana – Stefany Pereira Schumacher (UFSM)
• Paisagens aterrorizantes como vetores de horror: intermidialidade e o locus horribilis em Lovecraft – Ubirajara Lopes da Cunha Junior (UERJ)
• Relações hipertextuais entre o filme Orgulho e Preconceito e Zumbi e outras adaptações de Orgulho e Preconceito – Ligia Helena Souza (CEFET-MG)
A paisagem em autoria feminina II | Mediação: Barbara Vitoria Teixeira Ribeiro (UFSJ) | Sala 1.12/1.13
Landscape in Female Authorship II | Moderator: Barbara Vitoria Teixeira Ribeiro (UFSJ) | Room 1.12/1.13
• Cartografia da experiência feminina: espaço como agente de transformação em A paixão de Artemísia, de Susan Vreeland – Elaine Carolina Machado de Castro Moraes (UFSJ)
• Escrita e imagem: tensões na obra Agatha e as leituras ilimitadas, de Marguerite Duras – Rafaela Faria Vianna (UFMG)
• Entre ventos e charnecas: a paisagem como elemento narrativo em O Morro dos Ventos Uivantes de Emily Brontë – Adriana dos Santos Sales (CEFET-MG)
• Cartografia da experiência feminina: espaço como agente de transformação em A paixão de Artemísia, de Susan Vreeland – Elaine Carolina Machado de Castro Moraes (UFSJ)
• Escrita e imagem: tensões na obra Agatha e as leituras ilimitadas, de Marguerite Duras – Rafaela Faria Vianna (UFMG)
• Entre ventos e charnecas: a paisagem como elemento narrativo em O Morro dos Ventos Uivantes de Emily Brontë – Adriana dos Santos Sales (CEFET-MG)
Paisagens narradas | Mediação: Elaine Santos (Universidade de Coimbra) | Sala 1.14/1.15
Narrated Landscapes | Moderator: Elaine Santos (Universidade de Coimbra) | Room 1.14/1.15
• A paisagem narrativa de O retrato do rei: metapicturalidade e construção imagética – Cristina Reis Maia (UERJ)
• Aproximações intermidiáticas: o romance Os Maias de Eça de Queiroz – Elaine Santos (Univ. Coimbra)
• Écfrase e visualidade em Paisagens brasileiras de Visconde de Taunay – Priscila Célia Giacomassi (IFPR) e Solange Viaro Padilha (PUC-PR)
• A paisagem narrativa de O retrato do rei: metapicturalidade e construção imagética – Cristina Reis Maia (UERJ)
• Aproximações intermidiáticas: o romance Os Maias de Eça de Queiroz – Elaine Santos (Univ. Coimbra)
• Écfrase e visualidade em Paisagens brasileiras de Visconde de Taunay – Priscila Célia Giacomassi (IFPR) e Solange Viaro Padilha (PUC-PR)
Paisagem e(m) Arte I | Mediação: Nydia Negromonte | Sala 4.05/4.06
Landscape and/in Art I | Moderator: Nydia Negromonte | Room 4.05/4.06
• A paisagem como recorte temático num acervo de gravuras – George Rembrandt Gutlich e Fernando Costa Ferreira (UFMG)
• Paisagem como Matéria: A Terra-Pigmento na Arte Contemporânea de Minas Gerais – Juliana Silveira Mafra (UEMG)
• A representação da paisagem na Xilogravura Japonesa: desdobramentos históricos e poéticos – Eliana Ambrósio e Julia Maria Corsino Costa (UFMG)
• A paisagem como recorte temático num acervo de gravuras – George Rembrandt Gutlich e Fernando Costa Ferreira (UFMG)
• Paisagem como Matéria: A Terra-Pigmento na Arte Contemporânea de Minas Gerais – Juliana Silveira Mafra (UEMG)
• A representação da paisagem na Xilogravura Japonesa: desdobramentos históricos e poéticos – Eliana Ambrósio e Julia Maria Corsino Costa (UFMG)
Criações, transcriações e representações: entre o verbal, o sonoro e visual | Mediação: José Henrique Padovani (UFMG) | Sala 4.07
Creations, Transcreations and Representations | Moderator: José Henrique Padovani (UFMG) | Room 4.07
• Paisagem verbivocovisual: a visualidade como representação sonora na poesia de Augusto de Campos – Julio Abreu (CEFET - MG)
• Da cor ao gesto: a escuta ekphrásica na transcriação de paisagens sonoras em Almeida Prado – Gustavo Piffer Guimarães (UFSJ)
• Bruta flor: O conflito existencial e amoroso pela écfrase musical na canção “O Quereres” de Caetano Veloso – Eduardo Ramos (UFU)
• Vozes sem corpo: rádio e atmosfera do insólito em Samuel Beckett – Larissa Ceres Lagos (UFOP)
• Paisagem verbivocovisual: a visualidade como representação sonora na poesia de Augusto de Campos – Julio Abreu (CEFET - MG)
• Da cor ao gesto: a escuta ekphrásica na transcriação de paisagens sonoras em Almeida Prado – Gustavo Piffer Guimarães (UFSJ)
• Bruta flor: O conflito existencial e amoroso pela écfrase musical na canção “O Quereres” de Caetano Veloso – Eduardo Ramos (UFU)
• Vozes sem corpo: rádio e atmosfera do insólito em Samuel Beckett – Larissa Ceres Lagos (UFOP)
Paisagem e Literatura I | Mediação: Kelvin Matheus da Silva Rosa (UFJF) | Sala 4.14/4.15
Landscape and Literature I | Moderator: Kelvin Matheus da Silva Rosa (UFJF) | Room 4.14/4.15
• Paisagens literárias Arqueologia das taperas: ruínas e decadência colonial no sertão de Manoel Ambrósio – Pedro Borges Pimenta Júnior (UFMG)
• Medir o ver: o alongamento poético da paisagem de Sérgio Medeiros – Jorge Miranda (UFMG)
• A nostalgia e a natureza nas obras Os Pequeninos Borrowers (1952), de Mary Norton, e O Mundo dos Pequeninos (2010), do estúdio Ghibli – Juliana dos Santos Machado Azevedo (UERJ)
• Da caricatura ao real: uma transição de abordagem nas paisagens de David Foster Wallace – Kelvin Matheus da Silva Rosa (UFJF)
• Paisagens literárias Arqueologia das taperas: ruínas e decadência colonial no sertão de Manoel Ambrósio – Pedro Borges Pimenta Júnior (UFMG)
• Medir o ver: o alongamento poético da paisagem de Sérgio Medeiros – Jorge Miranda (UFMG)
• A nostalgia e a natureza nas obras Os Pequeninos Borrowers (1952), de Mary Norton, e O Mundo dos Pequeninos (2010), do estúdio Ghibli – Juliana dos Santos Machado Azevedo (UERJ)
• Da caricatura ao real: uma transição de abordagem nas paisagens de David Foster Wallace – Kelvin Matheus da Silva Rosa (UFJF)
Mesa 3 [Paisagem, memória, nostalgia]: Guilherme Cunha (curador), Nydia Negromonte (artista visual) e Maria Angela Resende (UFSJ) | Mediação: Kátia Hallak Lombardi (UFSJ) — Teatro CSA
Table 3 [Landscape, memory, nostalgia]: Guilherme Cunha (curator), Nydia Negromonte (visual artist) and Maria Angela Resende (UFSJ) | Moderator: Kátia Hallak Lombardi (UFSJ) — Teatro CSA
Guilherme Cunha: O projeto Retratistas do Morro, tem por objetivo contribuir para construção de uma narrativa conectada a história recente das imagens brasileiras a partir do ponto de vista de fotógrafos que atuaram nas vilas, favelas e comunidades do país, entre 1960 e 2000, retratando os movimentos cotidianos em seus territórios, levando em consideração seus múltiplos aspectos transformadores: culturais, sociais, políticos, e afetivos. Trabalha há 10 anos para a garantir a preservação, restauro, difusão e inserção desse patrimônio junto aos imaginários nacionais e internacionais. Durante a fala, “Imagememória, Direitos e Soberania Simbólica”, pretende apresentar sua metodologia e pesquisa, propondo reflexões sobre as potenciais mudanças fundamentais promovidas por essas imagens nos modelos de percepção e representação utilizados na construção do lastro simbólico nacional, assim como para a formação das reservas estratégicas de memórias coletivas no Brasil.
Nydia Negromonte: Nydia Negromonte apresenta sua pesquisa e processo criativo a partir de um conjunto de obras realizadas em diferentes momentos de sua trajetória, propondo um diálogo com o tema “Paisagem, memória, nostalgia”. A partir de trabalhos que atravessam fotografia, instalação e colagem, a artista compartilha modos de trabalhar com imagens e materiais que carregam o tempo — memórias pessoais, vestígios e transformações. Na série Lição de Coisas II (2009–2012), imagens do arquivo familiar são colocadas lado a lado com ilustrações de um antigo livro didático, criando relações inesperadas entre lembrança e aprendizado, experiênia e representação. Essa aproximação com o arquivo também aparece em Jasmim do Cabo (2010), uma intervenção realizada em uma casa desabitada em Belo Horizonte, onde fotografias da família que viveu ali nos anos 1940 são fixadas nas paredes, ativando a memória do espaço. Já em Posta (2012), apresentada na 30ª Bienal de São Paulo, a artista trabalha com matéria viva: hortaliças cobertas por argila que, ao longo do tempo, brotam, secam e se transformam. Aqui, a passagem do tempo deixa de ser apenas imagem e se torna processo visível. Esse interesse pelas transformações da memória continua em Fabulação (2019) e Praça, onde fotografias do arquivo familiar são recortadas e recombinadas, criando novas imagens que misturam lembrança e invenção. Ao percorrer essas obras, a artista propõe pensar a paisagem não apenas como lugar, mas como algo construído ao longo do tempo — feito de lembranças, apagamentos e recriações. A nostalgia, nesse contexto, aparece menos como saudade do passado e mais como uma forma de reinventá-la no presente.
Maria Angela Resende: Este trabalho pretende pensar a paisagem e a experiência urbana presentes na poética de Régis Bonvicino, na obra Até agora – poemas reunidos (2010) a partir das relações entre escrita, corpo e cidade (RESENDE, 2024). A densa poética de Bonvicino (1975-2022) nos permite pensar a paisagem a partir do dentro e fora, e não apenas como espaço privilegiado da visão ou da moldura. De acordo com o geógrafo Milton Santos (2006) uma cidade se constitui dos registros da vida cotidiana e das suas referências, das memórias coletivas e individuais que atravessam as histórias de vida e as experiências que estão trocadas nos lugares que compõem o cenário urbano. Assim, ao pensar/escrever a cidade e suas paisagens multifacetadas, o poeta não se coloca apenas como observador, e sim como sujeito que se compõe e se recompõe nos interstícios da metrópole. Entre fraturas expostas e superpostas, a paisagem superurbana das grandes metrópoles se configura: grafites, outdoors, muros, alfalto, ruas, lixo, andarilhos, ateliês, edifícios, casas, buzinas, sirenes, prostitutas, travestis, faturas, empresários, poetas. Paisagem fraturada. De maneira sistemática, tais recortes se apresentam impregnados por uma conotação dramática que se faz presente na própria apreensão da paisagem. Os poemas encenam justamente a dificuldade em se chegar até ela: trata-se quase sempre de uma paisagem captada em estado de suspensão, de interdição ou francamente irrisória. (MACHADO, 1996).
Guilherme Cunha: O projeto Retratistas do Morro, tem por objetivo contribuir para construção de uma narrativa conectada a história recente das imagens brasileiras a partir do ponto de vista de fotógrafos que atuaram nas vilas, favelas e comunidades do país, entre 1960 e 2000, retratando os movimentos cotidianos em seus territórios, levando em consideração seus múltiplos aspectos transformadores: culturais, sociais, políticos, e afetivos. Trabalha há 10 anos para a garantir a preservação, restauro, difusão e inserção desse patrimônio junto aos imaginários nacionais e internacionais. Durante a fala, “Imagememória, Direitos e Soberania Simbólica”, pretende apresentar sua metodologia e pesquisa, propondo reflexões sobre as potenciais mudanças fundamentais promovidas por essas imagens nos modelos de percepção e representação utilizados na construção do lastro simbólico nacional, assim como para a formação das reservas estratégicas de memórias coletivas no Brasil.
Nydia Negromonte: Nydia Negromonte apresenta sua pesquisa e processo criativo a partir de um conjunto de obras realizadas em diferentes momentos de sua trajetória, propondo um diálogo com o tema “Paisagem, memória, nostalgia”. A partir de trabalhos que atravessam fotografia, instalação e colagem, a artista compartilha modos de trabalhar com imagens e materiais que carregam o tempo — memórias pessoais, vestígios e transformações. Na série Lição de Coisas II (2009–2012), imagens do arquivo familiar são colocadas lado a lado com ilustrações de um antigo livro didático, criando relações inesperadas entre lembrança e aprendizado, experiênia e representação. Essa aproximação com o arquivo também aparece em Jasmim do Cabo (2010), uma intervenção realizada em uma casa desabitada em Belo Horizonte, onde fotografias da família que viveu ali nos anos 1940 são fixadas nas paredes, ativando a memória do espaço. Já em Posta (2012), apresentada na 30ª Bienal de São Paulo, a artista trabalha com matéria viva: hortaliças cobertas por argila que, ao longo do tempo, brotam, secam e se transformam. Aqui, a passagem do tempo deixa de ser apenas imagem e se torna processo visível. Esse interesse pelas transformações da memória continua em Fabulação (2019) e Praça, onde fotografias do arquivo familiar são recortadas e recombinadas, criando novas imagens que misturam lembrança e invenção. Ao percorrer essas obras, a artista propõe pensar a paisagem não apenas como lugar, mas como algo construído ao longo do tempo — feito de lembranças, apagamentos e recriações. A nostalgia, nesse contexto, aparece menos como saudade do passado e mais como uma forma de reinventá-la no presente.
Maria Angela Resende: Este trabalho pretende pensar a paisagem e a experiência urbana presentes na poética de Régis Bonvicino, na obra Até agora – poemas reunidos (2010) a partir das relações entre escrita, corpo e cidade (RESENDE, 2024). A densa poética de Bonvicino (1975-2022) nos permite pensar a paisagem a partir do dentro e fora, e não apenas como espaço privilegiado da visão ou da moldura. De acordo com o geógrafo Milton Santos (2006) uma cidade se constitui dos registros da vida cotidiana e das suas referências, das memórias coletivas e individuais que atravessam as histórias de vida e as experiências que estão trocadas nos lugares que compõem o cenário urbano. Assim, ao pensar/escrever a cidade e suas paisagens multifacetadas, o poeta não se coloca apenas como observador, e sim como sujeito que se compõe e se recompõe nos interstícios da metrópole. Entre fraturas expostas e superpostas, a paisagem superurbana das grandes metrópoles se configura: grafites, outdoors, muros, alfalto, ruas, lixo, andarilhos, ateliês, edifícios, casas, buzinas, sirenes, prostitutas, travestis, faturas, empresários, poetas. Paisagem fraturada. De maneira sistemática, tais recortes se apresentam impregnados por uma conotação dramática que se faz presente na própria apreensão da paisagem. Os poemas encenam justamente a dificuldade em se chegar até ela: trata-se quase sempre de uma paisagem captada em estado de suspensão, de interdição ou francamente irrisória. (MACHADO, 1996).
Mesa 4 [Paisagem e tecnologia]: Clara Matheus (UFCG), José Padovani (UFMG) e Alzira Agostini Haddad (Gestora sócio-cultural) | Mediação: Verônica Daniel Kobs (UNIANDRADE) — Anfiteatro CSA
Table 4 [Landscape and technology]: Clara Matheus (UFCG), José Padovani (UFMG) and Alzira Agostini Haddad (Socio-cultural manager) | Moderator: Verônica Daniel Kobs (UNIANDRADE) — Anfiteatro CSA
Clara Matheus: Em 2021, o Facebook, Inc. adotou um novo nome: Meta, em referência aos esforços da empresa no desenvolvimento de um metaverso. Metaverso, um conceito originado na ficção científica distópica Snow Crash (1992), é uma paisagem virtual que pretende representar as configurações de um determinado espaço físico e social. Em 2026, após um investimento de aproximadamente quatrocentos bilhões de reais, a Meta anunciou a interrupção do projeto. Tal fiasco serve de mote para discutirmos as diferenças entre esse projeto e as mídias sociais digitais, que antecedem e sobrevivem às ambições relacionadas ao desenvolvimento de metaversos. A paisagem das mídias sociais, quando organizadas por algoritmos, é personalizada e heterogênea. Notícias, tutoriais, vídeos enganosos ou humorísticos compõem um mesmo fluxo midiático contínuo. A partir do ferramental teórico-crítico desenvolvido por Lars Elleström (2021), propõe-se uma discussão e uma comparação de tais espaçotemporalidades. Feeds organizados por lógicas algorítmicas não apenas inauguram uma paisagem que não busca representar o mundo material, mas também reconfiguram a temporalidade, dando origem a uma espacialidade organizada a partir de critérios que não são transparentes para os usuários. Essa forma de hierarquização da informação resulta em processos de recepção descontínuos, fragmentários e não lineares. Tal contexto inaugura novas lógicas de recepção, exigindo uma perspectiva teórica consciente da espaçotemporalidade das mídias, como a oferecida pelos estudos da intermidialidade. Portanto, a comunicação busca contribuir para o debate sobre a espaçotemporalidade das mídias sociais, ao destacar especificidades de dois projetos distintos de paisagens digitais.
José Padovani: Provocadora a seu tempo, a noção de "paisagem sonora" de Murray Schafer inovou ao propor o mundo como composição. Por outro lado, seus limites foram apontados por autores como Ingold e Sterne, que identificaram nesse conceito um posicionamento problemático com relação aos sentidos, ao dinamismo dos fenômenos sonoros e à tecnologia. Situo minha fala na perspectiva imaginativa e poética que busca repensar a escuta, a tecnologia e o mundo a partir das noções de transdução (Simondon), ecologia da mente (Bateson) e tecnodiversidade (Hui). Como pensar a escuta e a criação sonora de modo a problematizar a mediação técnica e a relação humano/natureza/tecnologia? A partir de minhas pesquisas e criações artísticas envolvendo "escuta de/com máquinas" e "ecologia sonora", proponho uma prática em que a invenção de processos de transdução e a mediação técnica viabilizam uma acoplagem situada, relacional e diversa com o mundo. Nesta "ecologia da invenção", a criação e a experimentação com dispositivos de escuta, sejam algoritmos de "escuta de/com máquinas" ou instrumentos como o roi-rói, operam como, na famosa alegoria de Bateson que se imagina caminhando, cego, com uma bengala: não como ferramentas utilitárias que nos separam de um mundo dado, mas como extensões protéticas e cadeias transdutivas que borram as fronteiras entre mente, corpo, instrumento técnico e mundo. Trata-se de inventar o mecanismo de mediação e, simultaneamente, criar uma "segunda natureza": não como delírio transumanista de descarte da natureza ou da humanidade, mas como dimensão imaginativa que nos acople ética e poeticamente ao que nos cerca.
Alzira Agostini Haddad: Para alcançar a eficácia das TICs-Tecnologias da Informação e Comunicação, as plataformas deveriam adotar modelos de intermidialidade que planifiquem e conectem conteúdos de cidadania baseados em recomendações internacionais ao nível local/global de forma interativa. Este projeto tem representado o Brasil como "Cidades Transparentes" desde os Encontros Preparatórios da CMSI (Cúpula Mundial da Sociedade da Informação) de 2003 e 2005 e em vários congressos nacionais e internacionais, demonstrando que a abertura de dados socioculturais em formatos hipermidiáticos empodera o cidadão, os projetos e as lideranças. A proposta é integrar uma metodologia de inventário sociocultural - gerada, registrada e validada nas comunidades - para otimizar o acesso a iniciativas e ferramentas globais subutilizadas, como leis robustas no Brasil ou o modelo impecável do ICMS Cultural em MG, que, apesar de 30 anos de inventário único no mundo, corre risco de descontinuidade. Como os melhores projetos e pesquisas são gerados via recurso público, inventariar e disponibilizar essas entregas de forma integrada é vital para o fortalecimento e consolidação em rede dessas iniciativas e ações. O livro-portal "Ser nobre é ter identidade" que exemplifica essa Ciência Aberta aplicada ao patrimônio e à Agenda 2030, conectando o físico ao digital via milhares de QRCodes permite que o cidadão atue como coautor, pesquisador e guardião de seu território. Este livro-portal é uma obra híbrida que transcende suas páginas para atuar como uma interface tecnológica e porta de entrada para um vasto ecossistema de informações. Por meio da conectividade via QRCodes e hiperlinks, a obra democratiza o acesso a bancos de dados, imagens interativas e documentos e registros históricos e contemporâneos, transforma o objeto livro em uma ferramenta de intermidialidade que une conhecimento e o reconhecimento. Através de camadas de dados e memórias, o projeto oferece referências e planificações que podem e devem ser replicadas para evitar os contínuos desmontes e o niilismo institucional. Mais do que isso, visa eliminar o retrabalho que suga a energia, emperra e sucumbe grupos, Conselhos Municipais, associações, cooperativas etc ad eternum, minando essas lideranças ao invés de favorecerem a sua evolução, força e progresso em benefício de suas reais necessidades em vez de ficarem presas em ciclos eternos de ineficiência. O livro que resume o projeto constitui um guia de navegação para a pesquisa-ação, permitindo que o leitor deixe de ser apenas espectador para se tornar coautor e pesquisador ativo de seu próprio território e memória via Inventário Sociocultural Colaborativo.
Clara Matheus: Em 2021, o Facebook, Inc. adotou um novo nome: Meta, em referência aos esforços da empresa no desenvolvimento de um metaverso. Metaverso, um conceito originado na ficção científica distópica Snow Crash (1992), é uma paisagem virtual que pretende representar as configurações de um determinado espaço físico e social. Em 2026, após um investimento de aproximadamente quatrocentos bilhões de reais, a Meta anunciou a interrupção do projeto. Tal fiasco serve de mote para discutirmos as diferenças entre esse projeto e as mídias sociais digitais, que antecedem e sobrevivem às ambições relacionadas ao desenvolvimento de metaversos. A paisagem das mídias sociais, quando organizadas por algoritmos, é personalizada e heterogênea. Notícias, tutoriais, vídeos enganosos ou humorísticos compõem um mesmo fluxo midiático contínuo. A partir do ferramental teórico-crítico desenvolvido por Lars Elleström (2021), propõe-se uma discussão e uma comparação de tais espaçotemporalidades. Feeds organizados por lógicas algorítmicas não apenas inauguram uma paisagem que não busca representar o mundo material, mas também reconfiguram a temporalidade, dando origem a uma espacialidade organizada a partir de critérios que não são transparentes para os usuários. Essa forma de hierarquização da informação resulta em processos de recepção descontínuos, fragmentários e não lineares. Tal contexto inaugura novas lógicas de recepção, exigindo uma perspectiva teórica consciente da espaçotemporalidade das mídias, como a oferecida pelos estudos da intermidialidade. Portanto, a comunicação busca contribuir para o debate sobre a espaçotemporalidade das mídias sociais, ao destacar especificidades de dois projetos distintos de paisagens digitais.
José Padovani: Provocadora a seu tempo, a noção de "paisagem sonora" de Murray Schafer inovou ao propor o mundo como composição. Por outro lado, seus limites foram apontados por autores como Ingold e Sterne, que identificaram nesse conceito um posicionamento problemático com relação aos sentidos, ao dinamismo dos fenômenos sonoros e à tecnologia. Situo minha fala na perspectiva imaginativa e poética que busca repensar a escuta, a tecnologia e o mundo a partir das noções de transdução (Simondon), ecologia da mente (Bateson) e tecnodiversidade (Hui). Como pensar a escuta e a criação sonora de modo a problematizar a mediação técnica e a relação humano/natureza/tecnologia? A partir de minhas pesquisas e criações artísticas envolvendo "escuta de/com máquinas" e "ecologia sonora", proponho uma prática em que a invenção de processos de transdução e a mediação técnica viabilizam uma acoplagem situada, relacional e diversa com o mundo. Nesta "ecologia da invenção", a criação e a experimentação com dispositivos de escuta, sejam algoritmos de "escuta de/com máquinas" ou instrumentos como o roi-rói, operam como, na famosa alegoria de Bateson que se imagina caminhando, cego, com uma bengala: não como ferramentas utilitárias que nos separam de um mundo dado, mas como extensões protéticas e cadeias transdutivas que borram as fronteiras entre mente, corpo, instrumento técnico e mundo. Trata-se de inventar o mecanismo de mediação e, simultaneamente, criar uma "segunda natureza": não como delírio transumanista de descarte da natureza ou da humanidade, mas como dimensão imaginativa que nos acople ética e poeticamente ao que nos cerca.
Alzira Agostini Haddad: Para alcançar a eficácia das TICs-Tecnologias da Informação e Comunicação, as plataformas deveriam adotar modelos de intermidialidade que planifiquem e conectem conteúdos de cidadania baseados em recomendações internacionais ao nível local/global de forma interativa. Este projeto tem representado o Brasil como "Cidades Transparentes" desde os Encontros Preparatórios da CMSI (Cúpula Mundial da Sociedade da Informação) de 2003 e 2005 e em vários congressos nacionais e internacionais, demonstrando que a abertura de dados socioculturais em formatos hipermidiáticos empodera o cidadão, os projetos e as lideranças. A proposta é integrar uma metodologia de inventário sociocultural - gerada, registrada e validada nas comunidades - para otimizar o acesso a iniciativas e ferramentas globais subutilizadas, como leis robustas no Brasil ou o modelo impecável do ICMS Cultural em MG, que, apesar de 30 anos de inventário único no mundo, corre risco de descontinuidade. Como os melhores projetos e pesquisas são gerados via recurso público, inventariar e disponibilizar essas entregas de forma integrada é vital para o fortalecimento e consolidação em rede dessas iniciativas e ações. O livro-portal "Ser nobre é ter identidade" que exemplifica essa Ciência Aberta aplicada ao patrimônio e à Agenda 2030, conectando o físico ao digital via milhares de QRCodes permite que o cidadão atue como coautor, pesquisador e guardião de seu território. Este livro-portal é uma obra híbrida que transcende suas páginas para atuar como uma interface tecnológica e porta de entrada para um vasto ecossistema de informações. Por meio da conectividade via QRCodes e hiperlinks, a obra democratiza o acesso a bancos de dados, imagens interativas e documentos e registros históricos e contemporâneos, transforma o objeto livro em uma ferramenta de intermidialidade que une conhecimento e o reconhecimento. Através de camadas de dados e memórias, o projeto oferece referências e planificações que podem e devem ser replicadas para evitar os contínuos desmontes e o niilismo institucional. Mais do que isso, visa eliminar o retrabalho que suga a energia, emperra e sucumbe grupos, Conselhos Municipais, associações, cooperativas etc ad eternum, minando essas lideranças ao invés de favorecerem a sua evolução, força e progresso em benefício de suas reais necessidades em vez de ficarem presas em ciclos eternos de ineficiência. O livro que resume o projeto constitui um guia de navegação para a pesquisa-ação, permitindo que o leitor deixe de ser apenas espectador para se tornar coautor e pesquisador ativo de seu próprio território e memória via Inventário Sociocultural Colaborativo.
Palestrante: Niklas Salmose (Linnaeus University/Suécia) *haverá tradução simultânea
Mediação: Eliana Lourenço de Lima Reis (UFMG)
Speaker: Niklas Salmose (Linnaeus University/Sweden) *simultaneous translation available
Moderator: Eliana Lourenço de Lima Reis (UFMG)
Abstract (Original): This keynote maps how nostalgia takes shape as landscape—not only as place remembered but as an intermedial Stimmung (mood) that is composed across words, sounds, and images. Building on my forthcoming monograph Mediations of Nostalgia: Experience, Intermediality, Aesthetics (Edinburgh University Press), I propose a framework that treats nostalgia as a poetics in which past and present coinhabit a scene, and where media-specific “nostalgic signs” (motifs, sonic textures, visual cues) orchestrate a felt sense of loss and longing. In this presentation I will trace three different kind of nostalgic stimmungs. I first trace Landscapes of Change, showing how tropes such as seasons, ruins/decay, voyages, and migration spatialize time’s irreversibility. In literature and film alike, these tropes recruit multisensory cues—waves that “erase” traces, creaking clocks, crumbling facades—to make time audible and visible; their affective power intensifies when works show rather than name nostalgia. Second, I explore Idealised Spaces—childhood, youth, summer, and the exotic—as mediated worlds that often feel more real than the present precisely because they are curated by memory and media. Here, intermedial cross-modal modalities are crucial: a Ferris wheel’s lights and laughter (soundimage), the grain of 35mm film (imagetime), or the cadence of anaphora (wordsound) each “tune” the landscape toward ideality while keeping its impossibility in view. Finally, I consider Metaphysical Landscapes, where clocktime, universal grief, and celestial figures (comets, stars) open onto planetary and eschatological vistas. These works render hypothetical time—moments when past, present, and future seem to collapse—inviting audiences to dwell in atemporality while confronting finitude. The result is an intermedial cartography of cometalgia: scenes that are simultaneously beautiful and unsettling, cosmic and intimate. Across examples from modernist prose to graphic memoir, cinema, and popular music/video, I show how nostalgia’s landscapes are not mere backdrops but intermedial engines of mood—sites where word, sound, and image collaborate to choreograph memory, desire, and the ethics of looking back.
Resumo (Tradução): Esta palestra mapeia como a nostalgia se transforma em paisagem – não apenas como lugar lembrado, mas como um Stimmung (estado de espírito) intermidiático composto por meio de palavras, sons e imagens. Tendo por base a monografia a ser publicada pela Edinburgh University Press, Mediations of Nostalgia: Experience, Intermediality, Aesthetics (Mediações da nostalgia: experiência, intermidialidade, estética), propõe-se uma estrutura teórica que aborda a nostalgia como uma poética em que passado e presente se apresentam juntos em cena, e onde “signos nostálgicos” específicos de cada mídia (motivos, texturas sonoras, indicações visuais) orquestram um senso de perda e anseio. A apresentação traça três diferentes tipos de stimmungs nostálgicos. O primeiro aborda Paisagens de mudança, mostrando de que forma tropos tais como estações do ano, ruínas/deterioração, viagens e migração espacializam a irreversibilidade do tempo. Tanto na literatura quanto no cinema, esses tropos convocam pistas multissensoriais – ondas que “apagam” traços, o ruído de relógios, fachadas em decadência – tornando o tempo audível e visível; seus poderes afetivos se intensificam quando as obras mostram ao invés de nomear a nostalgia. O segundo explora Espaços idealizados – infância, juventude, verão e o exótico – como mundos mediados que frequentemente são percebidos como mais reais que o presente, precisamente porque estão sob a curadoria da memória e das mídias. Aqui, as modalidades intermidiáticas e cross-modais são cruciais: as luzes e as risadas em uma roda gigante (som-imagem), a granulação do filme de 35mm (imagem-tempo), ou a cadência da anáfora (palavra-som), cada um “sintoniza” a paisagem em direção à idealidade ao mesmo tempo em que mantém em vista a sua impossibilidade. Por último, discuto as Paisagens metafísicas, onde o tempo do relógio, o luto universal e as figuras celestes (cometas, estrelas) se abrem para panoramas planetários e escatológicos. Essas obras representam o tempo hipotético – momentos em que passado, presente e futuro parecem colapsar – convidando a audiência a deter-se na atemporalidade enquanto confronta a finitude. O resultado é uma cartografia intermidiática de cometalgia: cenas que são simultaneamente belas e perturbadoras, cósmicas e íntimas. Através de exemplos que abrangem desde textos modernistas de prosa a memórias gráficas, cinema e videoclipes de cultura popular, demonstro como as paisagens da nostalgia não são meros cenários, mas máquinas intermidiáticas de humor ou estado de espírito – locais onde palavra, som e imagem colaboram para coreografar a memória, o desejo e a ética de olhar para trás.
Abstract: This keynote maps how nostalgia takes shape as landscape—not only as place remembered but as an intermedial Stimmung (mood) that is composed across words, sounds, and images. Building on my forthcoming monograph Mediations of Nostalgia: Experience, Intermediality, Aesthetics (Edinburgh University Press), I propose a framework that treats nostalgia as a poetics in which past and present coinhabit a scene, and where media-specific “nostalgic signs” (motifs, sonic textures, visual cues) orchestrate a felt sense of loss and longing. In this presentation I will trace three different kind of nostalgic stimmungs. I first trace Landscapes of Change, showing how tropes such as seasons, ruins/decay, voyages, and migration spatialize time’s irreversibility. In literature and film alike, these tropes recruit multisensory cues—waves that “erase” traces, creaking clocks, crumbling facades—to make time audible and visible; their affective power intensifies when works show rather than name nostalgia. Second, I explore Idealised Spaces—childhood, youth, summer, and the exotic—as mediated worlds that often feel more real than the present precisely because they are curated by memory and media. Here, intermedial cross-modal modalities are crucial: a Ferris wheel’s lights and laughter (soundimage), the grain of 35mm film (imagetime), or the cadence of anaphora (wordsound) each “tune” the landscape toward ideality while keeping its impossibility in view. Finally, I consider Metaphysical Landscapes, where clocktime, universal grief, and celestial figures (comets, stars) open onto planetary and eschatological vistas. These works render hypothetical time—moments when past, present, and future seem to collapse—inviting audiences to dwell in atemporality while confronting finitude. The result is an intermedial cartography of cometalgia: scenes that are simultaneously beautiful and unsettling, cosmic and intimate. Across examples from modernist prose to graphic memoir, cinema, and popular music/video, I show how nostalgia’s landscapes are not mere backdrops but intermedial engines of mood—sites where word, sound, and image collaborate to choreograph memory, desire, and the ethics of looking back.
Paisagem e interdisciplinaridade | Mediação: Augustto Cipriani (UFCG) | Anfiteatro
Landscape and Interdisciplinarity | Moderator: Augustto Cipriani (UFCG) | Amphitheater
• Paisagens minerais: a poética das pedras em Roger Callois – Márcia Arbex (UFMG)
• Entre Paisagens e Antipaisagens: imagem, cultura e experiência histórica – Kátia Hallak Lombardi (UFSJ)
• A paisagem, o horizonte e a curiosidade segundo Hans Blumenberg – Georg Otte (UFMG)
• Paisagens minerais: a poética das pedras em Roger Callois – Márcia Arbex (UFMG)
• Entre Paisagens e Antipaisagens: imagem, cultura e experiência histórica – Kátia Hallak Lombardi (UFSJ)
• A paisagem, o horizonte e a curiosidade segundo Hans Blumenberg – Georg Otte (UFMG)
Paisagem e Música | Mediação: Antônio Carlos Guimarães (UFSJ) | Teatro
Landscape and Music | Moderator: Antônio Carlos Guimarães (UFSJ) | Theater
• "Se você tem uma ideia incrível é melhor fazer uma canção": Caetano e a recriação de Marcel Proust nos trópicos – Maria Ester Saturnino Reis (PUC Minas)
• Caetano, Lúcio, cores e nomes – Luiza Gonçalves de Oliveira (UERJ)
• Intermidialidade na canção de câmara: uma análise interpretativa de “Eu sou flor arremessada” de Paulo Florence – Jhony de Souza Pinto e Natália Pacheco (UFMG)
• A Música como Embate Ideológico: Uma Análise de canções do podcast Medo e Delírio em Brasília – Denis Martins Lôbo Corrêa (CEFET-MG)
• "Se você tem uma ideia incrível é melhor fazer uma canção": Caetano e a recriação de Marcel Proust nos trópicos – Maria Ester Saturnino Reis (PUC Minas)
• Caetano, Lúcio, cores e nomes – Luiza Gonçalves de Oliveira (UERJ)
• Intermidialidade na canção de câmara: uma análise interpretativa de “Eu sou flor arremessada” de Paulo Florence – Jhony de Souza Pinto e Natália Pacheco (UFMG)
• A Música como Embate Ideológico: Uma Análise de canções do podcast Medo e Delírio em Brasília – Denis Martins Lôbo Corrêa (CEFET-MG)
Paisagens ilustradas | Mediação: Jalmir Jesus de Souza Ribeiro (UFSJ) | Sala 1.12/1.13
Illustrated Landscapes | Moderator: Jalmir Jesus de Souza Ribeiro (UFSJ) | Room 1.12/1.13
• Silhuetas vermelhas nos espaços verdes: as paisagens dramáticas no romance gráfico Afirma Pereira – Alessandra Matias Querido (UnB)
• Paisagens literárias e letramento racial em Amoras: intermidialidade, infância negra e políticas públicas da literatura – Kamilla Coelho Oliveira (UFSJ)
• Paisagens ilustradas do livro à parede; um novo olhar para a ilustração – Mariana Amargós Vieira (UEL)
• O sertão revisitado: a transposição intermidiática de Grande sertão veredas para quadrinhos – Gabriely Rosa Caetano (UFJF)
• Traços da esperança sobre a terra devastada: Paisagem, memória e reconstrução identitária em The Red Pencil – Jalmir Jesus de Souza Ribeiro (UFSJ)
• Silhuetas vermelhas nos espaços verdes: as paisagens dramáticas no romance gráfico Afirma Pereira – Alessandra Matias Querido (UnB)
• Paisagens literárias e letramento racial em Amoras: intermidialidade, infância negra e políticas públicas da literatura – Kamilla Coelho Oliveira (UFSJ)
• Paisagens ilustradas do livro à parede; um novo olhar para a ilustração – Mariana Amargós Vieira (UEL)
• O sertão revisitado: a transposição intermidiática de Grande sertão veredas para quadrinhos – Gabriely Rosa Caetano (UFJF)
• Traços da esperança sobre a terra devastada: Paisagem, memória e reconstrução identitária em The Red Pencil – Jalmir Jesus de Souza Ribeiro (UFSJ)
Paisagem e(m) Arte II | Mediação: Eliana Ambrosio (UFMG) | Sala 1.14/1.15
Landscape and/in Art II | Moderator: Eliana Ambrosio (UFMG) | Room 1.14/1.15
• Vozes Bordadas: protagonismo feminino no processo criativo de Saber De Cor – Luiza Fontes Martins (CEFET-MG)
• Patrimônio cultural em Ouro Preto: um percurso fotográfico-afetivo – Eliziane Cristina da Silva de Oliveira (CEFET-MG)
• Jardins musicais: considerações sobre três cravos e uma espineta – George Rembrandt Gutlich e Patricia Montrezol Brandstatter (UFMG)
• A paisagem na xilogravura de Hannah Brandt – Alex Miyoshi (UFU) e Eliana Ambrosio (UFMG)
• Vozes Bordadas: protagonismo feminino no processo criativo de Saber De Cor – Luiza Fontes Martins (CEFET-MG)
• Patrimônio cultural em Ouro Preto: um percurso fotográfico-afetivo – Eliziane Cristina da Silva de Oliveira (CEFET-MG)
• Jardins musicais: considerações sobre três cravos e uma espineta – George Rembrandt Gutlich e Patricia Montrezol Brandstatter (UFMG)
• A paisagem na xilogravura de Hannah Brandt – Alex Miyoshi (UFU) e Eliana Ambrosio (UFMG)
Paisagem e Poesia I | Mediação: Giovanna Soalheiro (UFMG) | Sala 4.05/4.06
Landscape and Poetry I | Moderator: Giovanna Soalheiro (UFMG) | Room 4.05/4.06
• Paisagens dissonantes na poética de Leonardo Fróes – Fabio Chadid Vasconcelos (UFMG)
• Entre o poema e a canção: a intermidialidade em “Alfonsina y el mar” e “Me voy a morir” – Andressa Zoi Nathanailidis (UFES)
• A lira cabocla no subúrbio do Irajá: cartografias poéticas e o sertão transfigurado de Manoel Ambrósio – Pedro Borges Pimenta Júnior (UFMG)
• Adão Ventura e as paisagens da não transparência – Giovanna Soalheiro Pinheiro Chadid (UFMG)
• Paisagens dissonantes na poética de Leonardo Fróes – Fabio Chadid Vasconcelos (UFMG)
• Entre o poema e a canção: a intermidialidade em “Alfonsina y el mar” e “Me voy a morir” – Andressa Zoi Nathanailidis (UFES)
• A lira cabocla no subúrbio do Irajá: cartografias poéticas e o sertão transfigurado de Manoel Ambrósio – Pedro Borges Pimenta Júnior (UFMG)
• Adão Ventura e as paisagens da não transparência – Giovanna Soalheiro Pinheiro Chadid (UFMG)
Paisagens sonoras: territórios, memórias e identidades | Mediação: Mário Geraldo Rocha da Fonsêca (UEMG) | Sala 4.07
Soundscapes: Territories, Memories and Identities | Moderator: Mário Geraldo Rocha da Fonsêca (UEMG) | Room 4.07
• Paisagem sonora da praça Tubal Vilela: memória, escuta, experiência – Cristiane dos Guimarães Alvim Nunes e Marco Antonio Pasqualini de Andrade (UFU)
• A Feira como Palco e Partitura: Construção de Identidades e Paisagens Sonoras na Performance Feira de Mangaio – Ana Carolina dos Santos Martins e Gleidson Jordan dos Santos (FAMES)
• O pulsar quase mudo e os sinos que quase badalam – Leandro Donner (PUC Rio)
• Transcriações da mitopoética ameríndia em poesia sonora e corpografias na performance Tomar de Olhos – Mário Geraldo Rocha da Fonsêca (UEMG)
• Paisagem sonora da praça Tubal Vilela: memória, escuta, experiência – Cristiane dos Guimarães Alvim Nunes e Marco Antonio Pasqualini de Andrade (UFU)
• A Feira como Palco e Partitura: Construção de Identidades e Paisagens Sonoras na Performance Feira de Mangaio – Ana Carolina dos Santos Martins e Gleidson Jordan dos Santos (FAMES)
• O pulsar quase mudo e os sinos que quase badalam – Leandro Donner (PUC Rio)
• Transcriações da mitopoética ameríndia em poesia sonora e corpografias na performance Tomar de Olhos – Mário Geraldo Rocha da Fonsêca (UEMG)
Paisagem e espaço II | Mediação: Solange Viaro Padilha (PUC-PR) | Sala 4.14/4.15
Landscape and Space II | Moderator: Solange Viaro Padilha (PUC-PR) | Room 4.14/4.15
• Paisagens memorialísticas: a materna e terrena casa da poesia em Eugénio de Andrade – Wendel Francis Gomes Silva (UFMG)
• Corpo-ambiente: a paisagem como conceito operador na espacialidade cênica – Rick Ribeiro (UFSJ)
• Geografia emocional e atmosfera literária em Prague Pictures, de John Banville – Solange Viaro Padilha (PUC-PR)
• Paisagens memorialísticas: a materna e terrena casa da poesia em Eugénio de Andrade – Wendel Francis Gomes Silva (UFMG)
• Corpo-ambiente: a paisagem como conceito operador na espacialidade cênica – Rick Ribeiro (UFSJ)
• Geografia emocional e atmosfera literária em Prague Pictures, de John Banville – Solange Viaro Padilha (PUC-PR)
Paisagens urbanas | Mediação: Lucas Zamberlan (UFSM) | Anfiteatro
Urban Landscapes | Moderator: Lucas Zamberlan (UFSM) | Amphitheater
• Para além do visível: perspectiva indígena e as paisagens possíveis de São Paulo – Regina Célia dos Santos Alves (UEL)
• O lugar da escola na paisagem urbana: contrastes entre o Plano Piloto e a Ceilândia na experiência urbana de Brasília – Pedro Augusto do Nascimento (Secretaria de Educação do Distrito Federal)
• Paisagem literária e experiência urbana em Copacabana Dreams – Joelma Rezende Xavier (CEFET – MG)
• A paisagem metropolitana como princípio de formalização estética na obra de Arnaldo Antunes – André Pinheiro (UFPI)
• Para além do visível: perspectiva indígena e as paisagens possíveis de São Paulo – Regina Célia dos Santos Alves (UEL)
• O lugar da escola na paisagem urbana: contrastes entre o Plano Piloto e a Ceilândia na experiência urbana de Brasília – Pedro Augusto do Nascimento (Secretaria de Educação do Distrito Federal)
• Paisagem literária e experiência urbana em Copacabana Dreams – Joelma Rezende Xavier (CEFET – MG)
• A paisagem metropolitana como princípio de formalização estética na obra de Arnaldo Antunes – André Pinheiro (UFPI)
Paisagem e os sentidos | Mediação: Cássia Macieira (UEMG) | Teatro
Landscape and Senses | Moderator: Cássia Macieira (UEMG) | Theater
• Paisagens imaginadas em Grapefruit, de Yoko Ono – Deborah Walter de Moura Castro (UNIFAL)
• Entre a foto e o nanquim: o instante fotográfico de São Francisco, de Gabriela Güllich e João Veloso – William Farago da Maia (Unifesp/UnB)
• Como alguém que aprende a dançar, escrever a paisagem com Anas Estaregui – Beatriz Lopes Prats (UFRJ)
• Cidade sensual: a paisagem carioca e a comédia erótica dos anos 1970 – Carlos Guilherme Vogel (UERJ)
• Paisagens imaginadas em Grapefruit, de Yoko Ono – Deborah Walter de Moura Castro (UNIFAL)
• Entre a foto e o nanquim: o instante fotográfico de São Francisco, de Gabriela Güllich e João Veloso – William Farago da Maia (Unifesp/UnB)
• Como alguém que aprende a dançar, escrever a paisagem com Anas Estaregui – Beatriz Lopes Prats (UFRJ)
• Cidade sensual: a paisagem carioca e a comédia erótica dos anos 1970 – Carlos Guilherme Vogel (UERJ)
Paisagem e ecocrítica | Mediação: Letícia Campos de Resende (UFG) | Sala 1.14/1.15
Landscape and Ecocriticism | Moderator: Letícia Campos de Resende (UFG) | Room 1.14/1.15
• "Ainda" e a condensação da crise climática em A trama das árvores, de Richard Powers – Joicy Silva Ferreira (UFMG)
• “Earth Song”, de Michael Jackson: uma análise ecocrítica – Aline Barbosa de Almeida (Universidade Presbiteriana Mackenzie)
• Representações de espaço e tempo nas quatro estações de Ali Smith – Letícia Campos de Resende (UFG)
• "Ainda" e a condensação da crise climática em A trama das árvores, de Richard Powers – Joicy Silva Ferreira (UFMG)
• “Earth Song”, de Michael Jackson: uma análise ecocrítica – Aline Barbosa de Almeida (Universidade Presbiteriana Mackenzie)
• Representações de espaço e tempo nas quatro estações de Ali Smith – Letícia Campos de Resende (UFG)
Paisagem e poesia II | Mediação: Raquel dos Santos Madanêlo Souza (UFMG) | Sala 4.05/4.06
Landscape and Poetry II | Moderator: Raquel dos Santos Madanêlo Souza (UFMG) | Room 4.05/4.06
• Onze Poemas Barrocos de Theon Spanudis (1915-1986) e a poética existencial na imagem ∞ palavra – Luiz Carlos do Couto Junior (PPGEL-UTFPR)
• Transcriação como método tradutório em Dons des féminines, de Valentine Penrose – Ana Paula Cerqueira (UFSCar)
• A voz úmida da lama – Aline Guimarães Couto (UFJF)
• Algumas paisagens do cancioneiro pessoano – Raquel dos Santos Madanêlo Souza (UFMG)
• Onze Poemas Barrocos de Theon Spanudis (1915-1986) e a poética existencial na imagem ∞ palavra – Luiz Carlos do Couto Junior (PPGEL-UTFPR)
• Transcriação como método tradutório em Dons des féminines, de Valentine Penrose – Ana Paula Cerqueira (UFSCar)
• A voz úmida da lama – Aline Guimarães Couto (UFJF)
• Algumas paisagens do cancioneiro pessoano – Raquel dos Santos Madanêlo Souza (UFMG)
A construção de paisagens sonoras nas mídias: rádio, cinema, podcast | Mediação: Alfredo Werney Lima Torres (IFPI) | Sala 4.07
Soundscapes in Media: Radio, Cinema, Podcast | Moderator: Alfredo Werney Lima Torres (IFPI) | Room 4.07
• A arquitetura sonora em O homem que ri: entre paisagens sonoras, foley e música extradiegética – Melissa Marangoni Leme (UNIFESP)
• Paisagens sonoras no podcast Calunguinha, o cantador de histórias – Maria Michele de Oliveira (UFMG)
• Paisagem sonora e construção do espaço narrativo em The Chimes of Midnight, um audiodrama de Doctor Who – Wesley Lúcio (UFJF)
• Paisagens sonoras e mal-estar na cidade: uma leitura de O Som ao Redor, de Kléber Mendonça Filho – Alfredo Werney Lima Torres (IFPI)
• A arquitetura sonora em O homem que ri: entre paisagens sonoras, foley e música extradiegética – Melissa Marangoni Leme (UNIFESP)
• Paisagens sonoras no podcast Calunguinha, o cantador de histórias – Maria Michele de Oliveira (UFMG)
• Paisagem sonora e construção do espaço narrativo em The Chimes of Midnight, um audiodrama de Doctor Who – Wesley Lúcio (UFJF)
• Paisagens sonoras e mal-estar na cidade: uma leitura de O Som ao Redor, de Kléber Mendonça Filho – Alfredo Werney Lima Torres (IFPI)
Paisagem e Oriente | Mediação: Célia Arns de Miranda (UFPR/Uniandrade) | Sala 4.14/4.15
Landscape and the East | Moderator: Célia Arns de Miranda (UFPR/Uniandrade) | Room 4.14/4.15
• Entre o eterno e o efêmero: Intermidialidade, nostalgia, paisagem e lugares de memória em Sõsõ no Frieren – Guilherme do Nascimento Cunha (UFSJ)
• Paisagem como Anteparo: Intermidialidade e Identidade Cultural em Uma Pálida Visão dos Montes, de Kazuo Ishiguro – Tassiana Calsavara Andrade (UFSJ)
• Uma adaptação oriental de Rei Lear: A centralidade das personagens femininas em Ran por Kurosawa – Célia Arns de Miranda (UFPR / Uniandrade) e Fabrício de Lima Moraes (Uniandrade)
• Entre o eterno e o efêmero: Intermidialidade, nostalgia, paisagem e lugares de memória em Sõsõ no Frieren – Guilherme do Nascimento Cunha (UFSJ)
• Paisagem como Anteparo: Intermidialidade e Identidade Cultural em Uma Pálida Visão dos Montes, de Kazuo Ishiguro – Tassiana Calsavara Andrade (UFSJ)
• Uma adaptação oriental de Rei Lear: A centralidade das personagens femininas em Ran por Kurosawa – Célia Arns de Miranda (UFPR / Uniandrade) e Fabrício de Lima Moraes (Uniandrade)
"Sonetos sem palavras: a narrativa tímbrica de Almeida Prado"
"Sonetos sem palavras: a narrativa tímbrica de Almeida Prado"
Mesa 5 [Paisagem Cultural]: Miriam de Paiva Vieira (UFSJ/CNPq), Maria Cristina Cardoso Ribas (UERJ/CNPq) e Lucas da Cunha Zamberlan (UFSM) | Mediação: Joicy Silva Ferreira (UFMG) — Teatro CSA
Table 5 [Cultural Landscape]: Miriam de Paiva Vieira (UFSJ/CNPq), Maria Cristina Cardoso Ribas (UERJ/CNPq) and Lucas da Cunha Zamberlan (UFSM) | Moderator: Joicy Silva Ferreira (UFMG) — Teatro CSA
Miriam de Paiva Vieira: O Rio de Janeiro está na moda. Em 2025, foi visitado por mais de 1,9 milhão de estrangeiros. A revista inglesa Time Out elegeu uma de suas ruas como a mais cool do mundo. A “cidade maravilha, purgatório da beleza e do caos” foi a primeira área urbana do mundo a ter reconhecido o valor universal da harmonia entre paisagem natural e intervenção humana, inclusive suas manifestações culturais. Em 2012, a paisagem carioca formada entre a montanha e o mar passou a integrar a categoria de “Paisagem Cultural”, conceito adotado pela UNESCO nos anos 1990. Para o geógrafo Carl Sauer (1925), a paisagem cultural e a paisagem natural são partes de um único objeto, extrapolando o tratamento compartimentado entre o material e imaterial. Esse entendimento permite a compreensão da interdependência das materialidades produzidas pelo homem e as dinâmicas da natureza. Para compreender esse tipo de “ação antrópica sobre a natureza”, o arquiteto Flávio Carsalade (2016) propõe que o conceito de Paisagem Cultural, voltado para os aspectos simbólicos, seja pensado juntamente com o de Território, voltado para a apropriação e relações socioeconômicas que aí se exercem. O objetivo desta comunicação é comparar e contrastar como as relações simbólicas e socioeconômicas inerentes à Paisagem Cultural do Rio de Janeiro são transmidiadas (Elleström) por meio de écfrases (Clüver, Vieira) em Flores Raras e Banalíssimas (Oliveira, 1995) e A vista particular (Lísias, 2016), e de recursos multimodais (Gibbons, Maziarczyk) em Confinada (Assis&Oliveira, 2021) e O Rio de Clarice (Montero, 2019).
Maria Cristina Cardoso Ribas: O estudo é o desenvolvimento da pesquisa que analisa a composição imagética do Rio de Janeiro através de uma leitura intermidiática das leituras que atravessam modos, modalidades (Elleström, 2020) e midialidades constitutivas da cidade (nem sempre) maravilhosa. Entre pântanos e morros, sacudida por sucessivos aterros e desmontes - no duplo sentido que as palavras permitem -, nosso percurso traz à cena vozes da literatura e da imprensa, com destaque a Lima Barreto, que confrontaram o discurso oficial; discurso este que. em função da política em circulação, justificava as derrubadas na cidade sob a rubrica do embelezamento e sob o fundamento da questão sanitária e teorias dos miasmas - antiga visão da saúde pública que associava doenças infecciosas a “mal ar” (daí malária), resultante da “inevitável” concentração da população em determinados espaços e do “evidente” bloqueio das montanhas no centro da cidade. Atualizando as questões já desenvolvidas em pesquisa anterior acerca do documentário O Desmonte do Monte (2018), de Sinai Sganzerla, o título do presente trabalho inspira-se no livro sobre a modernidade carioca do historiador Antonio Edmilson Rodrigues (2024), na denúncia das crônicas de Lima Barreto publicadas de 28/4 a 03/6/1905 no jornal Correio da Manhã e coligidas em O Subterrâneo do Morro do Castelo e no livro Era uma vez o Morro do Castelo, por Nonato & Santos. Esperamos compartilhar uma configuração paisagística lato sensu, cuja dimensão de apagamento reincide, ainda hoje, como ponto de fuga das imagens desse belo cartão postal chamado Rio de Janeiro.
Lucas da Cunha Zamberlan: Este trabalho analisa a poesia de Felippe D’Oliveira, especialmente do livro Lanterna Verde, que completa seu centenário em 2026, e as formas pelas quais seus versos constroem imagens da cidade e da experiência moderna. Ao privilegiar aspectos como a visualidade, o ritmo irregular e a organização espacial do verso, o estudo desloca a leitura do autor de uma filiação estritamente literária para um campo ampliado de diálogo estético, o que revela afinidades produtivas com linguagens visuais, paisagens urbanas e elementos arquitetônicos que caracterizam a modernidade do início do século XX. Nesse sentido, a pesquisa busca desenvolver um exame dos intercâmbios entre a poesia do autor e a arquitetura de Santa Maria, sua cidade natal, reconhecida por reunir o segundo maior acervo contínuo Art Deco do mundo — superado apenas pela Ocean Drive, em Miami. Para sustentar leitura proposta, recorre-se aos estudos de Bruhn e Elleström e Rajewsky cujas reflexões sobre intermidialidade e mediação artística permitem compreender a complexidade da matéria avaliada. A partir dos resultados obtidos, sublinha-se o modo criativo com que a poesia de Felippe D’Oliveira relaciona-se intrinsecamente com uma sensibilidade Art Deco tardia, na qual literatura, arquitetura e as conformações históricas e sociais convergem como formas substantivas de experiência e representação da modernidade.
Miriam de Paiva Vieira: O Rio de Janeiro está na moda. Em 2025, foi visitado por mais de 1,9 milhão de estrangeiros. A revista inglesa Time Out elegeu uma de suas ruas como a mais cool do mundo. A “cidade maravilha, purgatório da beleza e do caos” foi a primeira área urbana do mundo a ter reconhecido o valor universal da harmonia entre paisagem natural e intervenção humana, inclusive suas manifestações culturais. Em 2012, a paisagem carioca formada entre a montanha e o mar passou a integrar a categoria de “Paisagem Cultural”, conceito adotado pela UNESCO nos anos 1990. Para o geógrafo Carl Sauer (1925), a paisagem cultural e a paisagem natural são partes de um único objeto, extrapolando o tratamento compartimentado entre o material e imaterial. Esse entendimento permite a compreensão da interdependência das materialidades produzidas pelo homem e as dinâmicas da natureza. Para compreender esse tipo de “ação antrópica sobre a natureza”, o arquiteto Flávio Carsalade (2016) propõe que o conceito de Paisagem Cultural, voltado para os aspectos simbólicos, seja pensado juntamente com o de Território, voltado para a apropriação e relações socioeconômicas que aí se exercem. O objetivo desta comunicação é comparar e contrastar como as relações simbólicas e socioeconômicas inerentes à Paisagem Cultural do Rio de Janeiro são transmidiadas (Elleström) por meio de écfrases (Clüver, Vieira) em Flores Raras e Banalíssimas (Oliveira, 1995) e A vista particular (Lísias, 2016), e de recursos multimodais (Gibbons, Maziarczyk) em Confinada (Assis&Oliveira, 2021) e O Rio de Clarice (Montero, 2019).
Maria Cristina Cardoso Ribas: O estudo é o desenvolvimento da pesquisa que analisa a composição imagética do Rio de Janeiro através de uma leitura intermidiática das leituras que atravessam modos, modalidades (Elleström, 2020) e midialidades constitutivas da cidade (nem sempre) maravilhosa. Entre pântanos e morros, sacudida por sucessivos aterros e desmontes - no duplo sentido que as palavras permitem -, nosso percurso traz à cena vozes da literatura e da imprensa, com destaque a Lima Barreto, que confrontaram o discurso oficial; discurso este que. em função da política em circulação, justificava as derrubadas na cidade sob a rubrica do embelezamento e sob o fundamento da questão sanitária e teorias dos miasmas - antiga visão da saúde pública que associava doenças infecciosas a “mal ar” (daí malária), resultante da “inevitável” concentração da população em determinados espaços e do “evidente” bloqueio das montanhas no centro da cidade. Atualizando as questões já desenvolvidas em pesquisa anterior acerca do documentário O Desmonte do Monte (2018), de Sinai Sganzerla, o título do presente trabalho inspira-se no livro sobre a modernidade carioca do historiador Antonio Edmilson Rodrigues (2024), na denúncia das crônicas de Lima Barreto publicadas de 28/4 a 03/6/1905 no jornal Correio da Manhã e coligidas em O Subterrâneo do Morro do Castelo e no livro Era uma vez o Morro do Castelo, por Nonato & Santos. Esperamos compartilhar uma configuração paisagística lato sensu, cuja dimensão de apagamento reincide, ainda hoje, como ponto de fuga das imagens desse belo cartão postal chamado Rio de Janeiro.
Lucas da Cunha Zamberlan: Este trabalho analisa a poesia de Felippe D’Oliveira, especialmente do livro Lanterna Verde, que completa seu centenário em 2026, e as formas pelas quais seus versos constroem imagens da cidade e da experiência moderna. Ao privilegiar aspectos como a visualidade, o ritmo irregular e a organização espacial do verso, o estudo desloca a leitura do autor de uma filiação estritamente literária para um campo ampliado de diálogo estético, o que revela afinidades produtivas com linguagens visuais, paisagens urbanas e elementos arquitetônicos que caracterizam a modernidade do início do século XX. Nesse sentido, a pesquisa busca desenvolver um exame dos intercâmbios entre a poesia do autor e a arquitetura de Santa Maria, sua cidade natal, reconhecida por reunir o segundo maior acervo contínuo Art Deco do mundo — superado apenas pela Ocean Drive, em Miami. Para sustentar leitura proposta, recorre-se aos estudos de Bruhn e Elleström e Rajewsky cujas reflexões sobre intermidialidade e mediação artística permitem compreender a complexidade da matéria avaliada. A partir dos resultados obtidos, sublinha-se o modo criativo com que a poesia de Felippe D’Oliveira relaciona-se intrinsecamente com uma sensibilidade Art Deco tardia, na qual literatura, arquitetura e as conformações históricas e sociais convergem como formas substantivas de experiência e representação da modernidade.
Mesa 6 [Paisagem e cinema]: Camila Augusta Pires de Figueiredo (UFMG), Elaine Bairros Indrusiak (UFRGS) e Cecília Nazaré de Lima (UFMG) | Mediação: Clara Matheus Nogueira (UFCG) — Anfiteatro CSA
Table 6 [Landscape and cinema]: Camila Augusta Pires de Figueiredo (UFMG), Elaine Bairros Indrusiak (UFRGS) and Cecília Nazaré de Lima (UFMG) | Moderator: Clara Matheus Nogueira (UFCG) — Anfiteatro CSA
Camila Augusta Pires de Figueiredo: Este trabalho examina as paisagens visuais e sonoras de Soundtrack (300 ml, 2017) a partir da comparação entre o roteiro cinematográfico e o corte final. Diversos elementos previstos no script – tanto enquadramentos quanto indicações sonoras – são suprimidos no filme: detalhes visuais cruciais deixam de aparecer em cena e todas as faixas que os personagens escutam pelos headphones permanecem inaudíveis para os espectadores, culminando, em certo ponto, num silêncio absoluto. A análise se apoia na ideia de “ausência significativa” de Werner Wolf, combinada ao “ponto de escuta” de Michel Chion e ao conceito de “paisagem sonora” de R. Murray Schafer, para mapear essas lacunas perceptivas. Utilizo o roteiro, gentilmente cedido pelos produtores, para um levantamento comparativo cena-a-cena e descrição dos trechos, complementados por informações do catálogo e de outros materiais da exposição realizada no Museu da Imagem e do Som (MIS), em São Paulo, concomitante com o lançamento do filme nos cinemas. Argumento que tais vazios expandem o espaço imagético do filme, transformando o silêncio e a ausência em territórios expressivos que espelham o isolamento polar do enredo e convidam o espectador a completar a diegese com suas próprias referências sensoriais. Assim, Soundtrack se configura como uma experiência de paisagem sonora e visual negativa: é a ausência que se torna evidência e desloca a obra para um ambiente transmídia, convocando outras mídias a complementá-la.
Elaine Bairros Indrusiak: A comunicação analisa a paisagem em O Piano (Jane Campion, 1993) como construção estética e ideológica, e não como simples cenário natural. Ambientado na Nova Zelândia do século XIX, o filme mobiliza o espaço como instância narrativa que articula sentidos históricos, culturais e políticos ligados à formação do imaginário nacional. Partindo do pressuposto de que paisagens são sempre mediadas por dispositivos estéticos e culturais, a comunicação examina como a natureza filmada por Campion serve a uma fantasia de pertencimento colonial. Ao contrastar o colonizador europeu com o “nativo”, a exuberância visual da paisagem reconfigura as tensões entre cultura europeia e mundo maori e fundamenta a construção de um “mito de fundação” pakeha, no qual o colonizador intruso é reinscrito como parte do território. Mais do que contextualizar a narrativa, a paisagem atua como operador ideológico ao marcar a oposição entre a artificialidade europeia e a natureza “autêntica”. Essa oposição estrutura uma narrativa de reconciliação simbólica que suaviza conflitos históricos e apaga assimetrias coloniais, dialogando com debates sobre identidade, pertencimento e memória na Nova Zelândia. Para além da dimensão visual, a comunicação considera também a paisagem sonora da obra, que sublinha tanto os conflitos culturais quanto a busca da protagonista por uma voz própria. Ao tratar a paisagem, em suas dimensões visual e sonora, como construção estética e ideológica, a comunicação reflete sobre como imaginários locais e nacionais se formam por meio de dispositivos intermidiais, nos quais imagem, som e narrativa se articulam para produzir sentidos de lugar, memória e identidade.
Cecília Nazaré de Lima: Em 1953, o cinema nacional apresentou o cenário sócio cultural do povo nordestino frente à seca de maneira tão potente, que gerou opiniões antagônicas, desde as mais positivas, destacando o poder sugestivo desse Brasil descarnado que o filme nos revela, às mais negativas, repudiando a exposição da diferente realidade vivida por aquele povo. Se trata do longa produzido pela cinematográfica Kino Filmes e dirigido por Alberto Cavalcanti - O canto do mar, um dos primeiros filmes de ficção brasileiro a tematizar a seca no Nordeste e suas mazelas (FREIRE, 2011). Destacaremos, neste estudo, a colaboração do compositor Guerra-Peixe, cujas pesquisas musicológicas no Nordeste forneceram elementos essenciais para o resultado integrado da combinação das mídias (RAJEWSKY, 2012) visuais e sonoras que compõem a paisagem artística e cultural do filme. A inserção de melodias, sons e imagens autênticas, tais como, o trio de instrumentistas anunciando a partida dos retirantes rumo ao sul, o foco em objetos, danças, instrumentos do terreiro de Candomblé tombado pelo Governo pernambucano, o ritual Maracatu Elefante durante o carnaval, a Reza de defunto para a morte da criança, a dança do frevo (Patrimônio Mundial da Unesco), o personagem instrumentista que se revela no final do filme, foram alguns desses registros e cenários simbólicos e tipicamente pernambucanos captados e mostrados na tela. Muito mais que uma história triste e pessimista do povo nordestino, o filme é um importante registro histórico de comunicação e disseminação (BRUHN; GJELSVIK, 2024) da riqueza, da beleza, e da alegria do patrimônio cultural pernambucano.
Camila Augusta Pires de Figueiredo: Este trabalho examina as paisagens visuais e sonoras de Soundtrack (300 ml, 2017) a partir da comparação entre o roteiro cinematográfico e o corte final. Diversos elementos previstos no script – tanto enquadramentos quanto indicações sonoras – são suprimidos no filme: detalhes visuais cruciais deixam de aparecer em cena e todas as faixas que os personagens escutam pelos headphones permanecem inaudíveis para os espectadores, culminando, em certo ponto, num silêncio absoluto. A análise se apoia na ideia de “ausência significativa” de Werner Wolf, combinada ao “ponto de escuta” de Michel Chion e ao conceito de “paisagem sonora” de R. Murray Schafer, para mapear essas lacunas perceptivas. Utilizo o roteiro, gentilmente cedido pelos produtores, para um levantamento comparativo cena-a-cena e descrição dos trechos, complementados por informações do catálogo e de outros materiais da exposição realizada no Museu da Imagem e do Som (MIS), em São Paulo, concomitante com o lançamento do filme nos cinemas. Argumento que tais vazios expandem o espaço imagético do filme, transformando o silêncio e a ausência em territórios expressivos que espelham o isolamento polar do enredo e convidam o espectador a completar a diegese com suas próprias referências sensoriais. Assim, Soundtrack se configura como uma experiência de paisagem sonora e visual negativa: é a ausência que se torna evidência e desloca a obra para um ambiente transmídia, convocando outras mídias a complementá-la.
Elaine Bairros Indrusiak: A comunicação analisa a paisagem em O Piano (Jane Campion, 1993) como construção estética e ideológica, e não como simples cenário natural. Ambientado na Nova Zelândia do século XIX, o filme mobiliza o espaço como instância narrativa que articula sentidos históricos, culturais e políticos ligados à formação do imaginário nacional. Partindo do pressuposto de que paisagens são sempre mediadas por dispositivos estéticos e culturais, a comunicação examina como a natureza filmada por Campion serve a uma fantasia de pertencimento colonial. Ao contrastar o colonizador europeu com o “nativo”, a exuberância visual da paisagem reconfigura as tensões entre cultura europeia e mundo maori e fundamenta a construção de um “mito de fundação” pakeha, no qual o colonizador intruso é reinscrito como parte do território. Mais do que contextualizar a narrativa, a paisagem atua como operador ideológico ao marcar a oposição entre a artificialidade europeia e a natureza “autêntica”. Essa oposição estrutura uma narrativa de reconciliação simbólica que suaviza conflitos históricos e apaga assimetrias coloniais, dialogando com debates sobre identidade, pertencimento e memória na Nova Zelândia. Para além da dimensão visual, a comunicação considera também a paisagem sonora da obra, que sublinha tanto os conflitos culturais quanto a busca da protagonista por uma voz própria. Ao tratar a paisagem, em suas dimensões visual e sonora, como construção estética e ideológica, a comunicação reflete sobre como imaginários locais e nacionais se formam por meio de dispositivos intermidiais, nos quais imagem, som e narrativa se articulam para produzir sentidos de lugar, memória e identidade.
Cecília Nazaré de Lima: Em 1953, o cinema nacional apresentou o cenário sócio cultural do povo nordestino frente à seca de maneira tão potente, que gerou opiniões antagônicas, desde as mais positivas, destacando o poder sugestivo desse Brasil descarnado que o filme nos revela, às mais negativas, repudiando a exposição da diferente realidade vivida por aquele povo. Se trata do longa produzido pela cinematográfica Kino Filmes e dirigido por Alberto Cavalcanti - O canto do mar, um dos primeiros filmes de ficção brasileiro a tematizar a seca no Nordeste e suas mazelas (FREIRE, 2011). Destacaremos, neste estudo, a colaboração do compositor Guerra-Peixe, cujas pesquisas musicológicas no Nordeste forneceram elementos essenciais para o resultado integrado da combinação das mídias (RAJEWSKY, 2012) visuais e sonoras que compõem a paisagem artística e cultural do filme. A inserção de melodias, sons e imagens autênticas, tais como, o trio de instrumentistas anunciando a partida dos retirantes rumo ao sul, o foco em objetos, danças, instrumentos do terreiro de Candomblé tombado pelo Governo pernambucano, o ritual Maracatu Elefante durante o carnaval, a Reza de defunto para a morte da criança, a dança do frevo (Patrimônio Mundial da Unesco), o personagem instrumentista que se revela no final do filme, foram alguns desses registros e cenários simbólicos e tipicamente pernambucanos captados e mostrados na tela. Muito mais que uma história triste e pessimista do povo nordestino, o filme é um importante registro histórico de comunicação e disseminação (BRUHN; GJELSVIK, 2024) da riqueza, da beleza, e da alegria do patrimônio cultural pernambucano.
Listening Landscapes : About Landscape & Translation — Patrick Ceyssens and Amit Leblang
Listening Landscapes : About Landscape & Translation — Patrick Ceyssens and Amit Leblang
Listening Landscapes is a collaborative video essay that takes landscape as its central question: not as scenery to observe, but as something felt, heard, and translated. Moving between seascapes, reversed footage, hand-drawn imagery, and poetics, the work asks who a landscape belongs to, and what it means to inhabit one.
The video proceeds in a meditative rhythm: waves walk backward, a figure retreats into the horizon, and drawn images dissolve into one another in layered superimposition. Sound gathered from border zones and thresholds is treated as texture rather than illustration, close, bodily, almost private. Text interrupts and completes the image as a counterpoint, reframing what is seen and heard, toying with our attention and understanding of the frame. Sequences suspend orientation, turning familiar landscape into something stranger and more open.
Landscape here is understood on multiple levels at once: the physical terrain, its representation in image and drawing, and the mental landscape of memory, displacement, and belonging. Beneath the formal play lies an autobiographical undertow, as questions of migration, of the self formed or lost in translation, and of what it means to look at a landscape from the outside guide the artists.
In the presentation, the video is screened and briefly analyzed by Amit Leblang.
Tipografia urbana: a letra-paisagem — Angelo Mazzuchelli
Tipografia urbana: a letra-paisagem — Angelo Mazzuchelli
A natureza intermidiática da escrita manifesta-se quando o aspecto visual da letra dialóga com sua função linguística ou transcende a arbitrariedade do signo verbal. No ensaio O espírito da letra, Barthes afirma que “a palavra não é o único contexto, o único resultado, a única transcendência da letra”; e que o alfabeto é “um sistema autônomo” que possui “predicados suficientes para garantir-lhe a individualidade”. A produção criativa “Tipografia urbana: a letra-paisagem” é um ensaio vídeográfico concebido a partir de duas séries de fotografias (feitas em Belo Horizonte e em São João del-Rei). O vídeo é de curta duração: 2 minutos e oito segundos. Nas fotografias, a letra “não-letra”, a letra potencial – latente, encoberta na complexa paisagem urbana – desponta em sua autonomia, em sua essência visual. As fotografias não são resultado de um procedimento sistemático, são frutos de atos de observação eventual. Dentro do eixo temático “Paisagem, memória, nostalgia”, a produção criativa “Tipografia urbana: a letra-paisagem” apresenta a letra materializada como memory do ato de capturar instantes fortuitos de revelação, de metamorfose poética. A letra-imagem, ou seja, aquela que transcende a mera função linguística, torna-se letra-paisagem no contexto urbano.
PROCEDIMENTO PRESENTE: pintar ao ar livre para estar-em-paisagem — Fabíola Tasca
PROCEDIMENTO PRESENTE: pintar ao ar livre para estar-em-paisagem — Fabíola Tasca
Entre 01 de outubro e 25 de novembro de 2025 firmei o compromisso: dedicar-me a sessões de pintura ao ar livre, a propósito de meu aniversário (56 dias para 56 anos). Com os materiais e equipamentos: giz pastel oleoso, papel reciclado, lápis grafite, lápis de cor, canetas, datador, carimbos, prancheta, cadeira de praia, fiz pinturinhas reunindo em registro diário imagem + palavra. Embora as pinturinhas apresentem dimensões variáveis, respeitam a restrição: “não ultrapassar as dimensões de um formato A4”. À vivência chamei “Procedimento Presente” e finalizado o compromisso formalizei decisões conceituais pelas quais assimilei minha prática de pintar ao ar livre com o Grupo Pintura ao ar livre, em curso desde 2022, bem como as sessões ao ar livre depois de meu aniversário. Também estendi o compromisso diário, durante determinados intervalos, para os quatro anos seguintes. Com Procedimento Presente venho experimentando a noção fenomenológica “estar-em-paisagem” discutida com os demais integrantes do 3º Grupo próxima paisagem: Bernardo Corrêa, Hélio Nunes, José Lara. Nesse contexto, o conceito de paisagem está ligado às noções de presença e pertencimento, uma tomada de consciência sobre a indistinção entre ser humano e meio de vida. Interessa o que nos rodeia. Por isso o eixo temático “Direito à paisagem: a paisagem como bem coletivo”, para favorecer o entendimento de Paisagem enquanto bem comum, construção coletiva desde as formas do viver.
Conversas ao pé da jabuticabeira — Sérgio Ribeiro Pereira
Conversas ao pé da jabuticabeira — Sérgio Ribeiro Pereira
“Recordar é dar de novo ao coração”. Essa afirmação do professor Antonio Sérgio Bueno – in memoriam – é nosso ponto de partida e reflexão sobre paisagens e memórias. Uma jabuticabeira ocupa lugar privilegiado no espaço de um quintal em Belo Horizonte, mais especificamente onde a rua Bahia passa a se chamar Carangola. Durante vários anos foi possível tomar assento em sua sombra para ouvir histórias do teatro, cinema e outras manifestações artísticas que foram experienciadas pela atriz Teuda Bara. A artista – ícone da cultura mineira e referência do teatro brasileiro – costumava contar casos e experiências de vida ao pé dessa árvore. Seu trabalho constitui um vértice robusto que impactou décadas das artes performativas. O seu legado incomensurável – para além de suas realizações artísticas, é constituído por atravessamentos afetivos que marcaram relações de convivência – e impactaram diferentes gerações. Nesse sentido, tomamos o conceito de paisagem sonora, conforme elaborado por Murray Schafer (2012) e o conceito de transmidiação elaborado por Lars Elleström (2021), para refletir sobre reminiscências afetivas que foram vivenciadas ao lado da atriz e construir um experimento sonoro-imagético que reconstrói ambiências afetivas. Tal experimento resgata e entrecruza memórias de filho e amigo da artista em diálogos intermidiáticos urdidos em tessituras audiovisuais com a topofilia da paisagem.
Paisagem e patrimônio II | Mediação: Paulo Henrique Caetano (UFSJ) | Anfiteatro
Landscape and Heritage II | Moderator: Paulo Henrique Caetano (UFSJ) | Amphitheater
• Literatura de um ofício: interrogar os cantos de marinheiro enquanto tradição e enquanto patrimônio cultural material – Bianca Czarnobai De Jorge (UFRGS)
• Cartografias do dizer: paisagem linguística e memória no dicionário de Picos – Rômulo Silvestre Quaresma Mendes (IFPI/UFMG)
• Imagens em procissão: paisagem e memórias da Encomendação das Almas – Flora Cunha Lucena e Claudio Guilarduci (UFSJ)
• Literatura de um ofício: interrogar os cantos de marinheiro enquanto tradição e enquanto patrimônio cultural material – Bianca Czarnobai De Jorge (UFRGS)
• Cartografias do dizer: paisagem linguística e memória no dicionário de Picos – Rômulo Silvestre Quaresma Mendes (IFPI/UFMG)
• Imagens em procissão: paisagem e memórias da Encomendação das Almas – Flora Cunha Lucena e Claudio Guilarduci (UFSJ)
Paisagem, Leitura e Diversidade | Mediação: Silvia Maria Guerra Anastácio (UFBA) | Teatro
Landscape, Reading, and Diversity | Moderator: Silvia Maria Guerra Anastácio (UFBA) | Theater
• Cantos de arruar: a mulher e o ordenamento urbano na contemporaneidade – Carla dos Santos e Silva Oliveira (UERJ)
• Música e Surdez: Uma análise da videoperformance de Imagine do Programa Música na Rede - ES – Ana Carolina dos Santos Martins e Gleidson Jordan dos Santos (FAMES)
• Bibliodiversidade como tarefa: anunciando a paisagem literária – Juliana de Paiva Vieira Soares (CEFET)
• A paisagem macunaímica em LIBRAS – Cassia Macieira (UEMG)
• Cantos de arruar: a mulher e o ordenamento urbano na contemporaneidade – Carla dos Santos e Silva Oliveira (UERJ)
• Música e Surdez: Uma análise da videoperformance de Imagine do Programa Música na Rede - ES – Ana Carolina dos Santos Martins e Gleidson Jordan dos Santos (FAMES)
• Bibliodiversidade como tarefa: anunciando a paisagem literária – Juliana de Paiva Vieira Soares (CEFET)
• A paisagem macunaímica em LIBRAS – Cassia Macieira (UEMG)
Paisagens alteradas I | Mediação: Natália Pereira Buzatti (UFMG) | Sala 4.01/4.02
Altered Landscapes I | Moderator: Natália Pereira Buzatti (UFMG) | Room 4.01/4.02
• A descrição da emoção: da Ética de Spinosa ao Emocionário de Cristina Nuñez Pereira – João Barreto da Fonseca (UFSJ)
• A sinestesia nas interfaces: jogos digitais para uma expansão cognitiva – Eduardo Séllos (UEMG)
• A paisagem como sintoma no espetáculo Mineral Ibsen – Natália Pereira Buzatti (UFMG)
• A descrição da emoção: da Ética de Spinosa ao Emocionário de Cristina Nuñez Pereira – João Barreto da Fonseca (UFSJ)
• A sinestesia nas interfaces: jogos digitais para uma expansão cognitiva – Eduardo Séllos (UEMG)
• A paisagem como sintoma no espetáculo Mineral Ibsen – Natália Pereira Buzatti (UFMG)
Paisagem e literatura II | Mediação: Priscila Célia Giacomassi (IFPR) | Sala 4.05/4.06
Landscape and Literature II | Moderator: Priscila Célia Giacomassi (IFPR) | Room 4.05/4.06
• Memória e subjetividade nas paisagens da série O Reino, de M. Tavares – Antônio Martins da Silva Junior (UEL)
• Os grafitos e a poética da paisagem em Murilo Mendes – Elaine Martins (CEFET)
• Somos vizinhos do fogo: a imagem vulcânica em Anne Carson e Athanasius Kircher – Fernanda Pimenta Ribeiro (UFMG)
• Romantismo e a assimilação subjetiva da paisagem – Priscila Célia Giacomassi (IFPR)
• Memória e subjetividade nas paisagens da série O Reino, de M. Tavares – Antônio Martins da Silva Junior (UEL)
• Os grafitos e a poética da paisagem em Murilo Mendes – Elaine Martins (CEFET)
• Somos vizinhos do fogo: a imagem vulcânica em Anne Carson e Athanasius Kircher – Fernanda Pimenta Ribeiro (UFMG)
• Romantismo e a assimilação subjetiva da paisagem – Priscila Célia Giacomassi (IFPR)
Paisagens conceituais, poéticas musicais e imaginação performativa | Mediação: Andressa Zoi Nathanailidis (UFES) | Sala 4.07
Conceptual Landscapes, Musical Poetics, and Performative Imagination | Moderator: Andressa Zoi Nathanailidis (UFES) | Room 4.07
• Contrabaixo Acústico e Paisagem Sonora – Marcos Antônio Pinheiro Anunciação (UFSJ)
• Espacialização como condição da desnaturalização da escuta: A filosofia da música de Carole Gubernikoff e a atomização da escuta de Theodor Adorno – Austeclínio Lopes de Farias (UnB)
• A literatura como gesto de leitura e criação musical na obra de José Antônio de Almeida Prado – Andressa Zoi Nathanailidis (UFES)
• Contrabaixo Acústico e Paisagem Sonora – Marcos Antônio Pinheiro Anunciação (UFSJ)
• Espacialização como condição da desnaturalização da escuta: A filosofia da música de Carole Gubernikoff e a atomização da escuta de Theodor Adorno – Austeclínio Lopes de Farias (UnB)
• A literatura como gesto de leitura e criação musical na obra de José Antônio de Almeida Prado – Andressa Zoi Nathanailidis (UFES)
Paisagem e nostalgia | Mediação: Mike da Costa Tavares | Sala 4.14/4.15
Landscape and Nostalgia | Moderator: Mike da Costa Tavares | Room 4.14/4.15
• O gramofone, o rio e a memória: fragmentos de Como o soldado conserta o gramofone de Saša Stanišić – Ana Clara Amaral de Oliveira (USP)
• Dona Olímpia: uma referência intermidiática – Beatriz Schmidt Campos (UnB)
• A paisagem que resta: rostos atravessados pelo tempo e a partilha do sensível em Cabra Marcado para Morrer de Eduardo Coutinho – Mike da Costa Tavares e Kátia Hallak Lombardi (UFSJ)
• Wander Piroli, o cronista da Lagoinha – Flávio de Castro (CEFET-MG)
• Pedro Nava e Carlos Drummond: a memória das cidades – Raquel Beatriz Junqueira Guimarães (PUC Minas)
• O gramofone, o rio e a memória: fragmentos de Como o soldado conserta o gramofone de Saša Stanišić – Ana Clara Amaral de Oliveira (USP)
• Dona Olímpia: uma referência intermidiática – Beatriz Schmidt Campos (UnB)
• A paisagem que resta: rostos atravessados pelo tempo e a partilha do sensível em Cabra Marcado para Morrer de Eduardo Coutinho – Mike da Costa Tavares e Kátia Hallak Lombardi (UFSJ)
• Wander Piroli, o cronista da Lagoinha – Flávio de Castro (CEFET-MG)
• Pedro Nava e Carlos Drummond: a memória das cidades – Raquel Beatriz Junqueira Guimarães (PUC Minas)
Paisagens utópicas e distópicas | Mediação: Geovanna Vitorino Silva Gonçalves (UFMG) | Sala 4.16/4.17
Utopian and Dystopian Landscapes | Moderator: Geovanna Vitorino Silva Gonçalves (UFMG) | Room 4.16/4.17
• A paisagem marciana na ficção científica através do tempo – Louise Cristina Zin (UFSJ)
• As paisagens em Jogos Vorazes: perspectivas acerca dos espaços na distopia norte-americana de Suzanne Collins – Gabriela Maia da Silva (UFSJ)
• Arte, cidades inteligentes e modelos habitacionais das cidades utópicas – Vinicius Viana (UEMG)
• Paisagens do inconsciente em Pobres Criaturas (2023): retrofuturismo e formação da subjetividade – Geovanna Vitorino Silva Gonçalves (UFMG) e Helena de Paula Beato (UFMG)
• A paisagem marciana na ficção científica através do tempo – Louise Cristina Zin (UFSJ)
• As paisagens em Jogos Vorazes: perspectivas acerca dos espaços na distopia norte-americana de Suzanne Collins – Gabriela Maia da Silva (UFSJ)
• Arte, cidades inteligentes e modelos habitacionais das cidades utópicas – Vinicius Viana (UEMG)
• Paisagens do inconsciente em Pobres Criaturas (2023): retrofuturismo e formação da subjetividade – Geovanna Vitorino Silva Gonçalves (UFMG) e Helena de Paula Beato (UFMG)
O olho que escuta: lendo sons na literatura | Mediação: Amanda Neves Campos (UFSJ) | Sala 4.18
The Listening Eye: Reading Sounds in Literature | Moderator: Amanda Neves Campos (UFSJ) | Room 4.18
• Sons que vibram vida e morte: paisagens sonoras em Mrs. Dalloway – Barbara Vitoria Teixeira Ribeiro (UFSJ)
• O “ruído branco” e os sons de ruptura nos soundscapes de The Years, de Virginia Woolf – Ana Carolina de Azevedo Guedes (UERJ)
• Números e símbolos na criação poética das Cantigas de Santa Maria – Sérgio Antônio Canedo (UFMG)
• Amaro/Amargo: uma leitura musical do personagem de Erico Veríssimo – Carla Silva Reis (UFSJ)
• Sons que vibram vida e morte: paisagens sonoras em Mrs. Dalloway – Barbara Vitoria Teixeira Ribeiro (UFSJ)
• O “ruído branco” e os sons de ruptura nos soundscapes de The Years, de Virginia Woolf – Ana Carolina de Azevedo Guedes (UERJ)
• Números e símbolos na criação poética das Cantigas de Santa Maria – Sérgio Antônio Canedo (UFMG)
• Amaro/Amargo: uma leitura musical do personagem de Erico Veríssimo – Carla Silva Reis (UFSJ)
Paisagem e patrimônio III | Mediação: Camila Figueiredo (UFMG) | Anfiteatro
Landscape and Heritage III | Moderator: Camila Figueiredo (UFMG) | Amphitheater
• Paisagem burocrática em (trans)formação da Vila de Santa Bárbara - MG no século 19: o Livro de atas da Câmara municipal – Aléxia Teles Guimarães (UFMG)
• Paisagens encomendadas: Estratégias da Comissão Construtora na promoção e na documentação da Nova Capital – Débora Veríssimo Costa (UFMG)
• O espírito dos lugares da cena metal de BH: as territorialidades da memória e da legislação – Paulo Henrique Caetano (UFSJ)
• Paisagem burocrática em (trans)formação da Vila de Santa Bárbara - MG no século 19: o Livro de atas da Câmara municipal – Aléxia Teles Guimarães (UFMG)
• Paisagens encomendadas: Estratégias da Comissão Construtora na promoção e na documentação da Nova Capital – Débora Veríssimo Costa (UFMG)
• O espírito dos lugares da cena metal de BH: as territorialidades da memória e da legislação – Paulo Henrique Caetano (UFSJ)
Paisagem e visualidades II | Mediação: Joicy Silva Ferreira (UFMG) | Teatro
Landscape and Visualities II | Moderator: Joicy Silva Ferreira (UFMG) | Theater
• In media res: Frida Kahlo e a intermidialidade biográfica – Mail Marques de Azevedo e Verônica Daniel Kobs (UNIANDRADE)
• Paisagens, olhares e vestígios: texto e imagem fotográfica em A line made by walking (2017) de Sara Baume – Samara Lima (UFMG)
• A câmera caneta: paisagens da escrita e da leitura no cinema de mulheres – Glaura Cardoso Vale (CEFET-MG)
• In media res: Frida Kahlo e a intermidialidade biográfica – Mail Marques de Azevedo e Verônica Daniel Kobs (UNIANDRADE)
• Paisagens, olhares e vestígios: texto e imagem fotográfica em A line made by walking (2017) de Sara Baume – Samara Lima (UFMG)
• A câmera caneta: paisagens da escrita e da leitura no cinema de mulheres – Glaura Cardoso Vale (CEFET-MG)
Paisagens alteradas II | Mediação: Bruna Alves de Oliveira Ambrosio (UNIFESP) | Sala 4.01/4.02
Altered Landscapes II | Moderator: Bruna Alves de Oliveira Ambrosio (UNIFESP) | Room 4.01/4.02
• Da rua ao museu: estetização da paisagem urbana na obra de Ana Hatherly – Augustto Correa Cipriani (UFCG)
• Paisagens do eclipse: a arte pandêmica de Reinaldo Laddaga – Carla Abreu de Pointis (UERJ)
• Arquitetura, modernidade e ideologia: leituras ecfrásticas de Paris em Au Bonheur des Dames de Émile Zola – Bruna Alves de Oliveira Ambrosio (UNIFESP)
• Da rua ao museu: estetização da paisagem urbana na obra de Ana Hatherly – Augustto Correa Cipriani (UFCG)
• Paisagens do eclipse: a arte pandêmica de Reinaldo Laddaga – Carla Abreu de Pointis (UERJ)
• Arquitetura, modernidade e ideologia: leituras ecfrásticas de Paris em Au Bonheur des Dames de Émile Zola – Bruna Alves de Oliveira Ambrosio (UNIFESP)
Paisagem virtual II | Mediação: Italo Travenzoli (UEMG) | Sala 4.05/4.06
Virtual Landscape II | Moderator: Italo Travenzoli (UEMG) | Room 4.05/4.06
• Amsvartnir: reconstruindo paisagem e história em Genshin Impact – Anelisa de Souza Procópio (UFSJ)
• Grand Theft Hamlet: uma conversa na tríplice fronteira entre teatro, cinema e videogame – Luiza Conde Moraes Arcuri (PUC-Rio)
• Dissolução das fronteiras: paisagens artificiais e a estética do pós-biológico nas cidades inteligentes – Italo Travenzoli (UEMG)
• Amsvartnir: reconstruindo paisagem e história em Genshin Impact – Anelisa de Souza Procópio (UFSJ)
• Grand Theft Hamlet: uma conversa na tríplice fronteira entre teatro, cinema e videogame – Luiza Conde Moraes Arcuri (PUC-Rio)
• Dissolução das fronteiras: paisagens artificiais e a estética do pós-biológico nas cidades inteligentes – Italo Travenzoli (UEMG)
Paisagem e cultura | Mediação: Fernando Luis Cazarotto Berlezzi (UPM) | Sala 4.07
Landscape and Culture | Moderator: Fernando Luis Cazarotto Berlezzi (UPM) | Room 4.07
• Paisagem Cultural, Poder Simbólico e o Retorno do Manto Tupinambá: uma estratégia de reconsagração do Museu Nacional no campo museal – Manan Terra Cabo (UFSB) e Bruno Henrique Pereira Borges (UFOB)
• Paisagem de camadas associativas: intervenção contemporânea na Reserva Técnica do Museu Municipal de Uberlândia – Paulo Ferreira de Carvalho Neto (UFU)
• C.M.M. – Concepção, Materialização e Métodos: Paisagem cultural, sustentabilidade e intermidialidade nos processos entre arte, design e mídias audiovisuais – Fernando Luis Cazarotto Berlezzi (Universidade Presbiteriana Mackenzie)
• Paisagem Cultural, Poder Simbólico e o Retorno do Manto Tupinambá: uma estratégia de reconsagração do Museu Nacional no campo museal – Manan Terra Cabo (UFSB) e Bruno Henrique Pereira Borges (UFOB)
• Paisagem de camadas associativas: intervenção contemporânea na Reserva Técnica do Museu Municipal de Uberlândia – Paulo Ferreira de Carvalho Neto (UFU)
• C.M.M. – Concepção, Materialização e Métodos: Paisagem cultural, sustentabilidade e intermidialidade nos processos entre arte, design e mídias audiovisuais – Fernando Luis Cazarotto Berlezzi (Universidade Presbiteriana Mackenzie)
Paisagem e história | Mediação: Pedro Demenech (UFSJ) | Sala 4.18
Landscape and History | Moderator: Pedro Demenech (UFSJ) | Room 4.018
• Poetamenos — um laboratório intersemiótico do serialismo de Webern – João Queiroz (UFJF)
• Paisagens da memória: experiências entrelaçadas pela Oratura – Rodrigo Martins e Dalva de Souza Lobo (UFLA)
• Paisagem feita de memória: em Emily Jacir, Hong-An Truong e Maria Chavez – Ana Beatriz Campos de Castro Pacheco (UnB)
• Roland Barthes e seus leitores hispânicos – Pedro Demenech (UFSJ)
• Poetamenos — um laboratório intersemiótico do serialismo de Webern – João Queiroz (UFJF)
• Paisagens da memória: experiências entrelaçadas pela Oratura – Rodrigo Martins e Dalva de Souza Lobo (UFLA)
• Paisagem feita de memória: em Emily Jacir, Hong-An Truong e Maria Chavez – Ana Beatriz Campos de Castro Pacheco (UnB)
• Roland Barthes e seus leitores hispânicos – Pedro Demenech (UFSJ)
Palestrante: Flávio de Lemos Carsalade (UFMG/CNPq)
Mediação: Miriam de Paiva Vieira (UFSJ)
Speaker: Flávio de Lemos Carsalade (UFMG/CNPq)
Moderator: Miriam de Paiva Vieira (UFSJ)
Resumo: A abordagem da paisagem cultural, egressa da geografia e hoje amplamente utilizada em outros campos de conhecimento, nos coloca imersos em um contexto que ao mesmo tempo que nos molda, é moldado por nós. As expressões culturais que se dão em determinado contexto físico e temporal criam uma atmosfera própria inspirada pela territorialidade que a reforça, mas que acrescenta novas possibilidades e abordagens intermidiáticas. Ao longo do tempo, essas expressões trazem inovações, na medida em que a transformação é característica fundante da abordagem trazida pelo conceito de paisagem cultural.
Abstract: A abordagem da paisagem cultural, egressa da geografia e hoje amplamente utilizada em outros campos de conhecimento, nos coloca imersos em um contexto que ao mesmo tempo que nos molda, é moldado por nós. As expressões culturais que se dão em determinado contexto físico e temporal criam uma atmosfera própria inspirada pela territorialidade que a reforça, mas que acrescenta novas possibilidades e abordagens intermidiáticas. Ao longo do tempo, essas expressões trazem inovações, na medida em que a transformação é característica fundante da abordagem trazida pelo conceito de paisagem cultural.